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Ex-presidentes do Fed saem em defesa da independência do órgão

06/08/2019 18h18

Nova York, 6 ago (EFE).- Quatro ex-presidentes do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, defenderam nesta terça-feira a independência do órgão contra a interferência política, uma resposta às reiteradas críticas feitas pelo presidente do país, Donald Trump, ao atual responsável pela instituição, Jerome Powell.

Paul Volcker, Alan Greenspan, Ben Bernanke e Janet Yellen escreveram uma carta aberta ao "The Wall Street Journal" na qual destacaram que é fundamental preservar a capacidade do Fed de tomar decisões baseadas nos melhores interesses do país.

"Estamos unidos na convicção de que o Fed e seu presidente devem poder atuar com independência e segundo os melhores interesses da economia, livres de pressões políticas de curto prazo e, em particular, sem a ameaça de demissões", diz a carta.

"Coletivamente, servimos ao país por cerca de 40 anos. Fomos indicados por seis presidentes, republicanos e democratas. Cada um de nós teve que tomar decisões difíceis para ajudar a guiar a economia para as metas do Fed de emprego máximo e preços estáveis", continuam os quatro ex-presidentes da instituição no documento.

"Em retrospectiva, nem todas nossas escolhas foram perfeitas. Mas acreditamos que essas decisões foram melhores por serem produto não partidário, de avaliações não políticas, baseadas na análise dos interesses econômicos a longo prazo dos cidadãos dos EUA", escreveram Volcker, Greenspan, Bernanke e Yellen.

Os quatro ex-presidentes do Fed destacam que o órgão é considerado uma agência independente com participação regional e tem salvaguardas contra a manipulação política, o que não significa, porém, que não possa prestar contas sobre as decisões que toma.

A carta foi publicada após mais de um ano de contínuas críticas de Trump a Powell pela manutenção das taxas de juros em níveis acima dos desejados pelo presidente.

Nomeado para a presidência do Fed pelo próprio Trump, Powell assumiu o cargo em fevereiro de 2018 e tem mandato de quatro anos. No último dia 31 de julho, o banco central anunciou o primeiro corte nos juros do país em uma década.

Os ex-presidentes do Fed disseram que o banco central está aberto ao diálogo e que um debate público robusto ajuda a melhorar as políticas monetárias. No entanto, a carta ressalta que uma percepção errada sobre o processo decisório do órgão pode minar a confiança do público, provocando instabilidade no mercado financeiro.

Volcker, Greenspan, Bernanke e Yellen lembraram que Trump, caso reeleito, terá a oportunidade de escolher um novo presidente para o Fed ao fim do mandato de quatro anos de Powell e que a indicação terá que ser ratificada pelo Senado.

"Esperamos que quando essa decisão chegar, a escolha seja baseada na competência e na integridade do indicado, não na sua lealdade política ou ativismo", disseram os ex-presidentes do Fed na carga.

Apesar das ameaças da Casa Branca, Powell já afirmou que cumprirá o mandato de quatro anos e que não renunciará ao cargo caso Trump peça para que ele deixe o Fed. EFE

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