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Mais mercado, petróleo e FMI: a receita dos EUA para Venezuela sem Maduro

07/08/2019 06h02

Álvaro Mellizo.

Lima, 7 ago (EFE).- Reformas que facilitem a ação da iniciativa privada, esforços para recuperar e multiplicar as receitas do petróleo com investimento estrangeiro e um empréstimo de longo prazo do Fundo Monetário Internacional (FMI): essa é a receita que o governo dos Estados Unidos sugere para uma Venezuela sem Nicolás Maduro.

O secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, apresentou a proposta durante a Conferência Internacional pela Democracia na Venezuela, que terminou na noite de terça-feira em Lima. Segundo ele, estas são sugestões que a Casa Branca tem prontas para propor "no dia seguinte" de uma eventual saída do chavismo no poder.

A apresentação de Ross foi feita em uma reunião fechada com os representantes de 57 países que aceitaram o convite do governo do Peru para analisar a crise da Venezuela. Mas trechos do discurso feito por ele foram divulgados posteriormente a jornalistas que cobriam o evento.

A chave para a Venezuela, segundo o secretário, será conseguir que atrair investimento privado elevando a confiança de que o país se recuperará economicamente. Para isso, o eventual presidente que substituir Maduro terá que promover reformas, garantir o império da lei, a transparência, a cooperação global e a integração regional no país.

Por trás de todo o projeto para o país estão o setor de petróleo e gás natural.

"Os mesmos recursos naturais que ajudaram a Venezuela ser grande ainda estão lá. Só precisamos reabilitar isso após anos de má gestão", disse Ross.

O representante do governo de Donald Trump dividiu os esforços para recuperar a prosperidade venezuelana em três pilares, além do setor de petróleo: estabilização macroeconômica e financeira, normalização agrícola, reabilitação da iniciativa privada.

Todos esses pilares deverão ter metas a serem cumpridas no curto, médio e longo prazo. Os EUA ajudariam a Venezuela no início do processo, mobilizando recursos e especialistas dispostos a contribuir com a recuperação econômica do país.

"O curto prazo inclui ajuda humanitária imediata, um ou dois meses depois de Maduro. O médio prazo será trabalhar para reverter o impacto do socialismo, entre os três e 12 meses posteriores. E os esforços de longo prazo serão recuperar o crescimento econômico sustentável", explicou o secretário americano.

As sugestões de Ross para a energia passam por realizar reformas pró-mercado e promover a entrada da iniciativa privada no setor com a aprovação de uma nova lei de hidrocarbonetos.

Outro ponto é melhorar a regulação para as empresas de energia, facilitando o investimento privado e as licitações, além de reparar o sistema de geração energética do país, acostumado a enfrentar longos blecautes nos últimos anos.

Quanto à estabilização macroeconômica, a primeira coisa que os EUA sugerem fazer é eliminar as sanções e promover o crédito, enviando conselheiros técnicos e buscando ajudar o novo governo a conquistar a confiança das instituições financeiras internacionais.

Mais adiante, o plano é renovar o Banco Central, o sistema tributário, as instituições fiscais e o setor bancário dentro de um acordo de longo prazo com o FMI.

Para a agricultura, a proposta é um tratamento de choque. Os EUA planejam ajudar a Venezuela nas importações de sementes, adubos, equipamentos e na assistência técnica. Além de estabelecer uma maior cooperação entre os dois países, o governo americano quer estimular a produção local para cobrir as necessidades venezuelanas.

Quanto à ampliação da participação da iniciativa privada na Venezuela, Ross propôs eliminar as restrições comerciais para as empresas americanas e apoiar reformas em favor do mercado e do investimento externo.

Melhorar o clima de negócios, acabar com o controle estatal sobre vários setores, implementar estratégias de privatização e combater a corrupção são os passos a serem tomados pelo eventual governo que substituir Maduro, de acordo com a proposta dos EUA.

Ross ressaltou que todas as ideias são sugestões e que o hipotético governo de Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela pela Casa Branca, poderá adotar caso considere que este é o melhor caminho a ser seguido pelo país. EFE

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