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FMI alerta que tarifas dos EUA podem reduzir crescimento da China em 2020

09/08/2019 19h07

Washington, 9 ago (EFE).- O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou nesta sexta-feira que a possível aplicação de tarifas por parte dos Estados Unidos a produtos importados da China ainda não taxados na guerra comercial promovida por Donald Trump pode ter impactos significativos sobre o crescimento da economia do país asiático em 2020.

"Uma tarifa de 25% dos EUA sobre as importações restantes da China poderia reduzir o crescimento (do país asiático) em 0,8 ponto percentual nos próximos 12 meses", disseram analistas do FMI durante a divulgação de um relatório sobre a economia chinesa.

Outros efeitos de uma escalada nas tensões comerciais entre os dois países seriam uma forte queda da demanda em nível mundial, o que afetaria a confiança e os investimentos.

O FMI recomendou que o governo da China adote medidas fiscais para tentar proteger a economia do país das ações tomadas pelos Estados Unidos. Na análise, o FMI projeta que o crescimento do PIB chinês será de 6,2% em 2019, uma queda em relação aos 6,8% de 2018.

"As perspectivas a curto prazo são particularmente incertas devido às tensões comerciais. Espera-se que o crescimento diminua moderadamente, para 6,2% em 2019 e 6% em 2020, dada a resposta política das autoridades (dos dois países)", alertou o FMI.

Há um mês, o FMI já tinha avisado que era "imperativo" evitar políticas que distorçam o comércio. Segundo a organização, as ações protecionistas de Trump, especialmente contra a China, produzirão uma queda de 0,3 ponto percentual no crescimento global em 2020.

No relatório Perspectivas Econômicas Globais divulgado em julho, o FMI também reduziu a projeção de crescimento global para 2019 de 3,3% para 3,2%. As razões que provocaram a revisão são as tensões internacionais e a guerra entre EUA e China.

Enquanto o FMI fazia alertas sobre os efeitos das medidas comerciais da Casa Branca, Trump acrescentava incertezas às negociações para solucionar a crise. Hoje, o presidente americano ameaçou cancelar a rodada de diálogo prevista para ocorrer em setembro.

"Veremos se manteremos ou não nosso encontro em setembro. Se ocorrer, tudo bem. Se não, tudo bem também", afirmou Trump a jornalistas na Casa Branca.

O presidente anunciou na semana passada que aplicará uma sobretaxa de 10% a US$ 300 bilhões em importações de produtos chineses a partir de 1º de setembro. Como resposta, o governo de Xi Jinping suspendeu a compra de produtos agrícolas americanos e desvalorizou o iuane em relação ao dólar a níveis não vistos desde 2008. EFE

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