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México mantém plano de austeridade e cogita fazer reforma tributária

21/08/2019 21h00

Manuel Soberanes Cobo.

Cidade do México, 21 ago (EFE).- O governo do México reafirmou nesta quarta-feira o compromisso com a austeridade que assumiu desde a chegada de Andrés Manuel López Obrador ao poder e reconheceu a necessidade de aprovar uma reforma tributária para melhorar a arrecadação para financiar projetos de infraestrutura e políticas sociais.

No discurso de encerramento de um fórum econômico organizado na Cidade do México, López Obrador afirmou que sem corrupção e com austeridade o governo pode se financiar sem a necessidade de elevar impostos, o custo dos serviços ou a dívida pública.

O presidente disse estar fazendo uma profunda transformação da vida pública do país porque está disposto a "erradicar a corrupção", considerada por ele o pior problema do México.

"Não é só moralizar a vida pública, é também economizar. Que tudo o que vazava pelo cano da corrupção seja usado para financiar o desenvolvimento. E não é pouco", frisou.

Para exemplificar a economia feita pelo governo com o plano de austeridade implementado desde o início de seu mandato, López Obrador afirmou que a presidência do país teve um orçamento de 3 bilhões de pesos mexicanos (US$ 152,5 milhões) no ano passado. Para este ano, a previsão é gastar apenas 600 milhões de pesos mexicanos (US$ 17,8 milhões).

"Sem corrupção e com austeridade é possível financiar o desenvolvimento sem aumentar os impostos nem criar novos, sem reajustes nos serviços e sem seguir devendo. A dívida pública não cresceu neste ano e projetamos o mesmo para o próximo", destacou.

No entanto, López Obrador disse que não basta a austeridade e a corrupção para fazer o país crescer. Por isso, o governo do México está atuando em três áreas: fortalecer a economia popular, ampliar o investimento estatal e incentivar os investimentos privado e estrangeiro.

O Produto Interno Bruto (PIB) do México recuou 0,2% no primeiro trimestre de 2019, mas se recuperou no segundo e avançou 0,1%, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi). Apesar do ritmo lento, López Obrador garante que a economia fechará o ano com crescimento de 2% e que terminará seu mandato com média de 4% ao ano.

No mesmo fórum, o subsecretário de Fazenda e Crédito Público do México, Gabriel Yorio, reconheceu a necessidade de modificar a estrutura fiscal para ampliar a arrecadação no médio prazo e assim financiar as despesas previstas pelo governo.

"Há uma estrutura que precisamos reformular e acreditamos que, com critérios de igualdade e de impacto na economia, podemos estabelecer uma nova estrutura de impostos", disse o subsecretário, ressaltando o pedido do presidente para não criar novas taxas.

Segundo Yorio, o foco do governo nos próximos dois ou três anos será combater a evasão fiscal. O Congresso do México já discute formas de atender ao desejo de López Obrador.

"Temos isso claro. De forma paralela, vamos discutindo quais as potenciais ações poderíamos levar ao Congresso para uma reforma tributária", disse Yorio.

Já a secretária de Governo, Olga Sánchez Cordero, disse que López Obrador trabalha em torno de três eixos para promover o crescimento da economia. Um deles é o fortalecimento do mercado interno, com uma política de recuperação salarial e criação de empregos produtivos, permanentes e bem remunerados.

"O segundo é consolidar o México como um destino confiável para o investimentos, pelo qual retomaremos o caminho do crescimento com austeridade e sem corrupção, com disciplina fiscal ferrenha, zero endividamento e respeito irrestrito às decisões autônomas do Banco do México. E o terceiro é reconstruir o Estado de direito para garantir a segurança das pessoas e das empresas", completou a secretária.

O governador do Banco do México, Alejandro Díaz de León, disse que a economia mexicana desacelerou mais do que o previsto, o que aumentou a lacuna entre o crescimento potencial e real do país. Para ele, o cenário externo também não ajudou.

"Há uma certa ociosidade na economia, e isso explica a desaceleração", afirmou. EFE

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