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CE defende que acordo entre União Europeia e Mercosul pressione o Brasil

23/08/2019 11h37

Bruxelas, 23 ago (EFE).- A Comissão Europeia (CE) defendeu nesta sexta-feira que o tratado de livre comércio entre União Europeia e Mercosul pode servir para reforçar ao Brasil os compromissos firmados no Acordo de Paris, sobre mudança climática, que contém cláusulas legalmente vinculativas.

O pacto que União Europeia e Mercosul firmaram no fim de junho, ainda precisa ser aprovado pelos países integrantes de ambos os blocos, mas já serve de alerta para o comportamento de cada uma das nações, conforme lembra a porta-voz da CE, Mina Andreeva.

"É o primeiro acordo comercial que tem compromissos vinculativos, para implementar efetivamente o Acordo de Paris", disse a representante da Comissão Europeia, em entrevista coletiva.

Questionada se a CE está considerando aumentar a pressão política ou econômica sobre o Brasil, visando conter o desmatamento na Amazônia, Andreeva afirmou que a principal ferramenta para garantir o cumprimento de padrões ambientais, é a assinatura do tratado entre União Europeia e Mercosul.

"É o melhor que podemos fazer, para criar compromissos legalmente vinculativos, com países que queremos que respeitem nossos padrões ambientais", disse a porta-voz da Comissão Europeia.

A representante, no entanto, disse que a assinatura do acordo não significa que o bloco continental esteja de acordo com todas as políticas dos governos nacionais, em diferentes áreas.

"Um acordo de comércio não resolverá todos os problemas, mas é a melhor ferramenta que temos, e a alternativa é clara", garantiu.

Andreeva, inclusive, lembrou que o Brasil é um dos signatários do Acordo de Paris e que espera na manutenção da postura, apesar do alinhamento com o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos.

"Vim como o presidente americano está tentando convencer outros líderes a ser unirem a ele e rejeitarem o Acordo de Paris. Com o acordo UE-Mercosul, o presidente Bolsonaro tomou uma decisão, veio conosco", destacou.

A posição difere da que foi expressada pelo presidente da França, Emmanuel Macron, que afirmou que o líder brasileiro mentiu nos compromissos ambientais que firmou, por isso, se posicionará contra a assinatura do tratado entre os blocos.

"Dada a atitude do Brasil, nestas últimas semanas, o presidente só pode constatar que o presidente Bolsonaro mentiu durante durante a Cúpula de Osaka", declarou Macron, em referência ao encontro do G20.

O acordo entre UE e Mercosul visa aumentar o comércio entre os países signatários, mediante o fim de tarifas alfandegárias a diferentes produtos, mas obriga o respeito ao Acordo de Paris. EFE

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