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Gaza: a inesperada sede da maior incubadora tecnológica palestina

26/08/2019 11h03

Laura Fernández Palomo.

Gaza, 26 ago (EFE).- Um amplo escritório com grafites nas paredes e circulação constante de jovens com gadgets esconde a maior incubadora tecnológica da Palestina, localizada em uma rua estreita de Gaza, embora o enclave tenha investimentos e diversos métodos de pagamento bloqueados.

Gaza Sky Geeks (GSG) é o primeiro laboratório tecnológico - tech hub - de Gaza, e que desde 2011 apoia iniciativas digitais de empresas emergentes e de trabalho autônomo a palestinos, como Ibrahim Al Huds.

Com formação superior, mas dificuldade de arranjar emprego na Palestina, Huds conseguiu uma vaga em uma empresa estrangeira, triplicou o salário em três anos e hoje é coordenador de participação comunitária na incubadora que abriu novas oportunidades para ele.

No ambiente de coworking, dezenas de pessoas têm a oportunidade de fazer diferentes cursos de incubação e aceleração, de buscar ofertas de trabalho e enviar propostas que aprenderam a elaborar.

Ola Rantissi, de 25 anos, é uma delas. A jovem se uniu ao GSG depois de bater em todas as portas de um enclave onde o desemprego entre os jovens já chega a 70%, e inclusive recebeu uma proposta de trabalho de um designer gráfico americano.

"Nas aulas aprendemos a lidar com os clientes, negociar com eles e promover a conta na plataforma", contou Rantisi sobre o GSG, onde se propôs a "ganhar dinheiro, desenvolver habilidades, conhecer gente e curtir".

Como muitas das iniciativas em Gaza - um território superpovoado bloqueado por terra, mar e ar desde 2007 por Israel e com uma economia devastada, uma pobreza de 80% e um setor privado minúsculo - o GSG começou como um projeto da ONG Mercy Corps, que se uniu ao Google para criar um espaço inovador, hoje vibrante, apesar dos muitos obstáculos.

O principal dos entraves é o isolamento. A impossibilidade da população de Gaza de viajar para o exterior limita o contato com o mercado internacional, por isso, um dos objetivos é trazer mentores de fora mensalmente para facilitar a interação.

Todas as propostas de trabalho devem ser feitas pela internet, remotamente, o que abre o leque de oportunidades com qualquer empresa fora de Gaza.

"Outros obstáculos são os investimentos (privados) porque em Gaza as transações bancárias estão restringidas (por ser gobernada pelo movimento islâmico Hamas, considerado terrorista por diversos países) e não há métodos de pagamento muito utilizados, como o PayPal", relatou Huds.

Mesmo assim, GSG conseguiu se tornar o maior espaço de inovação dos territórios palestinos, com média de 120 visitantes diários e procedimentos completos de incubação e aceleração oferecidos para empresas emergentes locais. EFE

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