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Argentina aumenta prazos de títulos e quer renegociar dívida com FMI

28/08/2019 20h10

Buenos Aires, 28 ago (EFE).- O governo da Argentina anunciou nesta quarta-feira que ampliará os prazos de vencimento dos títulos de sua dívida de curto prazo com investidores institucionais e que pretende fazer o mesmo com os de médio e longo prazo, além de tentar renegociar o que deve ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

O anúncio foi feito em entrevista coletiva pelo ministro da Fazenda, Hernán Lacunza, após uma reunião com o chefe do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Alejandro Werner, e o chefe da missão que a organização enviou à Argentina, Roberto Cardarelli.

De acordo com Lacunza, o governo quer "ampliar o horizonte financeiro" do país, tanto no final do mandato de Mauricio Macri na presidência como para os próximos quatro anos de governo, seja quem estiver na Casa Rosada.

"O presidente Macri me instruiu para que resolvamos o problema (dos títulos) de curto prazo para garantir a estabilidade eleitoral, mas também o médio e longo prazos, para não deixar um problema para quem ficará (no poder), seja ele mesmo ou outro candidato", declarou o ministro.

Lacunza ressaltou que a Argentina "não tem um problema de solvência sobre a capacidade de pagamento da dívida", mas "sobre a liquidez de médio prazo que incide na instabilidade atual".

O ministro explicou que o governo decidiu promover quatro iniciativas para aliviar a carga financeira. A primeira foi estender os vencimentos dos títulos da dívida de curto prazo, "nos quais o refinanciamento de passivos aparece condicionado pela incerteza eleitoral" - em referência à derrota que Macri sofreu nas eleições primárias de 11 de agosto, que apontaram um cenário muito difícil para sua permanência no cargo.

Lacunza afirmou que a taxa de renovação das chamadas Letras Capitalizáveis (Lecaps, calculadas em peso) e Letras do Tesouro (Letes, calculadas em dólar), que era de 88% em média, caiu abruptamente, após as primárias, para 10%.

Segundo o ministro, isso deixa evidente a "falta de interesse dos investidores em refinanciar esses títulos".

Diante desse cenário, o governo resolveu ampliar de três a seis meses os prazos de vencimento das Lecaps e das Letes em poder dos investidores institucionais - ficam excluídos os investidores individuais -, com a garantia de que receberão o pagamento completo de rentabilidade.

Além disso, para cumprir as exigências financeiras do período 2020-2023, o governo enviará ao Parlamento um projeto de lei para uma extensão voluntária dos prazos dos títulos da dívida emitidos sob jurisdição local, também sem perda de capitalização e juros.

Também será iniciado um processo de extensão de prazos dos bônus sob legislação estrangeira, sem perda de capitalização e juros, e para isso bancos serão convocados para que elaborem propostas para serem levadas aos credores.

Lacunza anunciou que proporá ao FMI um diálogo para "revisar" os vencimentos da dívida com a organização. No ano passado, a Argentina assinou um acordo de auxílio financeiro de US$ 56,3 bilhões com a organização.

"Deste modo, o governo procura abrir o horizonte financeiro a curto, médio e longo prazo, não só neste mandato (presidencial), como para o próximo, para dissipar os riscos de descumprimento implícito nas cotações dos papéis argentinos", ressaltou Lacunza. EFE