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Com tempestades no horizonte, Kristalina Georgieva inaugura nova era no FMI

13/10/2019 15h15

Alfonso Fernández.

Washington, 13 out (EFE).- O Fundo Monetário Internacional (FMI) realiza na próxima semana sua tradicional assembleia anual, a primeira sob o comando da nova diretora-gerente da organização, Kristalina Georgieva, que assume posto tendo pela frente um possível cenário de recessão mundial devido às tensões comerciais provocadas pelo protecionismo dos Estados Unidos.

No primeiro discurso depois de assumir o cargo, antes ocupado pela francesa Christine Lagarde, que será a nova presidente do Banco Central Europeu, Georgieva fez soar os alarmes de que uma tempestade está no horizonte e que é preciso agir para evitá-la.

"Em 2019, esperamos um crescimento mais lento em quase 90% do mundo. A economia global está agora em um estado de desaceleração sincronizada", disse a economista búlgara, que antes de chegar ao FMI ocupava o cargo de diretora-geral do Banco Mundial.

As declarações de Georgieva coincidem com os alertas feitos por um grande número de economistas, que preveem que o mundo enfrentará uma nova recessão em um futuro não tão distante. Como consequência, é predominante a expectativa de que o FMI revise para baixo as projeções de crescimento econômico global durante a assembleia anual que será realizada entre os dias de 18 e 20 de outubro.

Um dos mais pessimistas é Larry Summers, ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, que afirma que as chances de uma recessão antes de 2021 são de 50%. Em recente entrevista ao "The Wall Street Journal", ele afirma que não estava tão preocupado com a situação econômica global desde a crise financeira de 2009, considerada por alguns especialistas como a mais grave da história.

"Se esperarmos a próxima crise, será tarde. Devemos atuar agora. E temos que atuar juntos", defendeu a nova diretora-gerente do FMI.

Criada na Bulgária comunista, Georgieva liderará nesta semana a grande reunião atual da principal instituição financeira global, a referência do capitalismo, em um momento no qual os desafios se acumulam: a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, provocada pelo protecionismo do presidente Donald Trump, e a fragilidade econômica da Europa, com o "Brexit" no segundo plano.

Curiosamente, a assembleia anual comandada por Georgieva ocorrerá na sede do FMI, que fica a menos de 500 metros da Casa Branca, onde as delegações dos governos americano e chinês se reuniram na última semana para tentar diminuir as tensões.

A reunião terminou com um acordo parcial negativo para interromper a guerra comercial, pacto que pode ser assinado durante o fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), marcado para ocorrer em novembro, no Chile.

Por outro lado, Georgieva terá que enfrentar as dúvidas sobre a credibilidade do FMI, especialmente devido ao fato de os recentes programas da instituição na América Latina terem revivido fantasmas do passado.

Na Argentina, país com o qual o FMI aprovou em 2018 um plano de resgate de quase US$ 57 bilhões, o maior da história, a situação econômica piorou e as eleições presidenciais que ocorrem neste mês elevam o grau de incerteza sobre o futuro.

O programa foi negociado com o atual presidente da Argentina, Mauricio Macri, de centro-direita, mas as pesquisas apontam que ele perderá a reeleição para o peronista Alberto Fernández, que já afirmou que buscará renegociar o acordo.

Já o Equador vive uma onda de protestos que já dura 11 dias após a aplicação de um pacote econômico planejado após um acordo firmado pelo presidente do país, Lenín Moreno, com o FMI. A medida que mais irritou a população foi o corte do subsídio estatal sobre a compra de combustíveis.

A gravidade dos protestos forçou Moreno a decretar estado de exceção e a tomar uma medida incomum: transferir a sede do governo de Quito, a capital do país, para Guayaquil.

Sem citar os dois países explicitamente, Georgieva citou sua antecessora no cargo.

"O que eu gostaria de fazer com os programas é o que Christine Lagarde definiu ao sair do FMI: ter uma carteira, um cérebro, mas sobretudo um coração que bate", afirmou.

Conjugar os dois elementos, no entanto, será um dos principais desafios da búlgara nos próximos anos. EFE

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