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Pride Bank, 1º banco digital LGBTI+, entra em atividade no Brasil

29/11/2019 16h30

Carla Samon Ros.

São Paulo, 29 nov (EFE).- País onde uma pessoa morre por dia por homofobia, o Brasil é a sede do primeiro banco digital LGBTI+ do mundo, uma instituição batizada de Pride Bank e que destinará 5% da receita bruta para ações em favor desse coletivo.

"Não estamos aqui exclusivamente para ganhar dinheiro, mas para devolvê-lo às pessoas do LGTBI+ através de ações sociais", explicou o diretor executivo do Pride Bank, Márcio Orlandi, em entrevista à Agência Efe em São Paulo.

Segundo o diretor, o banco digital nasceu com o propósito de realizar mudanças sociais e foi criado pelo Instituto Pride, uma organização que recebe 5% da renda bruta do banco para reverter parte do lucro em ações que beneficiem a comunidade.

"Nosso objetivo é que todos sejamos tratados da mesma maneira, como merecemos, e tenhamos a oportunidade de ser quem realmente queremos ser", destacou.

Por enquanto, o banco está trabalhando em três projetos sociais, um deles focado em ajudar jovens da comunidade que precisam de orientação e apoio no bairro do Arouche, no centro de São Paulo, e historicamente um dos redutos gays da cidade.

A entidade também pretende apoiar a organização EternamenteSOU, dedicada à integração de idosos LGBTI+, e quer financiar a reforma da Casa de Brenda Lee, um albergue na capital paulista que há mais de três décadas abriga transexuais e travestis sem-teto.

"No futuro, a ideia é ajudar centenas ou milhares de organizações em todo o Brasil e, especificamente, no norte e nordeste do país, onde a comunidade LGTBI+ sofre muito mais por viver em sociedades mais machistas e conservadoras", disse Orlandi.

Entre todos os seus sonhos, o CEO do Pride Bank destacou a pretensão de oferecer aos clientes planos de saúde específicos, por exemplo, em relação aos hormônios tomados por pessoas trans.

Para garantir a transparência aos 'priders', como são chamados os clientes da instituição, o banco escolheu a empresa de tecnologia Welight, que oferece abertamente ao público a visibilidade completa de como cada centavo foi distribuído e aplicado em cada causa social.

Para ganhar visibilidade, uma parte da renda do banco será usada para realizar as atividades do próprio grupo, por meio de eventos culturais ou criando um festival de música próprio, segundo o diretor.

"No Brasil, tivemos um grande retrocesso no investimento na cultura da comunidade LGTBI+", criticou Orlandi, que considera importante que a arte do país ofereça referências positivas a todos aqueles que possam ter medo de assumir sua identidade ou orientação sexual.

O Pride Bank, que iniciou suas operações em 13 de novembro, oferece serviços de conta corrente digital, como transferências, pagamentos de contas e impostos e cartões de crédito pré-pagos, nos quais os priders podem colocar seu nome social, sem a necessidade de usar seu nome de nascimento.

Como muitos outros bancos digitais, este começou sua atividade no modo Beta. Por enquanto, só é possível abrir contas através de convites. "O retorno, tanto da comunidade quanto fora dela, está sendo maravilhoso", finalizou. EFE