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Davos termina com ambientalistas criticando falta de ação das autoridades

24/01/2020 16h57

Patricia de Arce, Davos (Suíça) 24 jan (EFE).- O Fórum Econômico Mundial de Davos termina nesta sexta-feira, após cinco dias de debates na Suíça, em que o clima teve um lugar de destaque, mas ambientalistas como Greta Thunberg, que estiveram no evento, deixam a cidade decepcionada: boas palavras, mas poucos compromissos de ação.

E eles não culpam apenas líderes políticos ou grandes empresários pela falta de iniciativa nesse assunto. Também pediram aos meios de comunicação que dedicassem mais tempo na própria emergência climática.

A verdade é que durante esta semana em Davos, Greta monopolizou a atenção da mídia tanto quanto qualquer líder econômico ou político.

GRETA IGNORA INSULTOS

Nesse sentido talvez tenha sido superada apenas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que em seu discurso na última terça, não hesitou em criticar os "profetas da calamidade" que, como a jovem ativista sueca, alertam para o aquecimento da terra.

E não apenas Trump; também seu secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, atacou Thunberg perguntando quem ela (Greta) era e aconselhou a jovem a estudar economia.

São reprovações que não tiveram nenhum efeito na ativista, como ela disse hoje pela manhã. "Se nos preocupássemos (com os insultos), não faríamos o que fazemos", disse Greta, durante entrevista coletiva onde avaliou Davos com outros quatro jovens, todos membros do movimento "Sextas-feiras para o Futuro".

Os cinco consideraram que foram ouvidos nestes dias (eles estiveram em vários debates e painéis), mas suas demandas foram "completamente ignoradas", como Greta apontou.

Ou, nas palavras da também sueca Isabelle Axelsson, os presentes em Davos estavam em sua "bolha de otimismo, fora da realidade" e, enquanto não saírem da bolha, não haverá progresso.

A medida mais imediata que eles reivindicaram nos últimos dias é o cancelamento de todos os investimentos em combustíveis fósseis no mundo.

Se esses investimentos não forem interrompidos este ano, o objetivo do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5 graus não será alcançado, de acordo com a alemã Luisa Neubauer, que concentra sua luta em reivindicar a Siemens, empresa de seu país, abandone um projeto de carvão em Queensland (Austrália).

Na concorrida entrevista coletiva, Isabelle Axelsson lamentou o "foco insano" que foi colocado nos ativistas enquanto não ignoravam a questão do clima.

"A mídia deve começar a falar sobre o que precisa ser feito, não apenas sobre nós".

E Greta Thunberg, por sua vez, disse ter ido a Davos porque entendia que este era o público certo para ativistas como ela.

"Todo mundo precisa fazer alguma coisa. Não devemos nos concentrar em qual setor é mais responsável ou quem deve fazer mais, porque todo mundo precisa fazer alguma coisa e você tem que empurrar em todas as direções", disse ela.

Em sua 50ª edição, o Fórum de Davos teve uma de suas questões mais importantes no tema do clima, através de uma agenda focada no crescimento econômico sustentável e na coesão.

Portanto, juntamente com a presença de líderes políticos como Trump, a chanceler alemã, Angela Merkel, ou o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez - em sua segunda visita -, assim como os responsáveis por grandes empresas e instituições econômicas do mundo, como o FMI e o BCE, o Fórum de Davos deu muito espaço ao ativismo juvenil.

São jovens que hoje não conseguiram esconder sua decepção, quando acreditam que é perfeitamente possível atender suas demandas.

"Não deve ser tão difícil. Assim que os políticos ouvem os cientistas e discutem as medidas, eles apenas precisam implementá-las", disse Isabelle Axelsson.

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