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Estado francês concederá empréstimos bilionários a Air France e Renault

24/04/2020 21h59

Paris, 24 abr (EFE).- O ministro da Economia da França, Bruno Le Maire, anunciou nesta sexta-feira que o Estado aportará "um apoio histórico" de 7 bilhões de euros à Air France e negocia outro empréstimo de 5 bilhões à Renault para ajudar as empresas em meio à crise provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2.

Le Maire disse à emissora "TF1" que dos 7 bilhões de euros para a companhia aérea, 4 bilhões serão empréstimos garantidos pelo Estado, mas aportados por um consórcio de bancos franceses e internacionais, e os outros 3 bilhões serão um empréstimo estatal direto.

Segundo o ministro, os 5 bilhões para a Renault ainda estão em negociação, e seriam um empréstimo garantido pelo Estado.

"Apoiamos a Air France como apoiaremos todas as empresas francesas, sejam pequenas ou estratégicas", disse Le Maire, que destacou que a nacionalização da companhia aérea "não está na ordem do dia", e que esses empréstimos não constituem "um cheque em branco".

O Estado, que possui 14% da empresa, estabeleceu condições tanto de rentabilidade, "porque é o dinheiro dos franceses e é necessário que a Air France faça um esforço", como ecológicas, com a intenção de que a empresa "se torne a mais respeitosa do planeta com o meio ambiente".

"Deve ser apresentado um plano de redução de emissões de CO2 (dióxido de carbono) e de transformação de sua frota para ser menos poluente, fazer menos ruído e ser mais respeitosa com o meio ambiente", acrescentou.

Le Maire destacou que esta é a primeira vez que o Estado aporta "um apoio tão importante", mas ressaltou que é tanto uma questão de independência como de preservação dos postos de trabalho "porque, por trás, está toda a filial aeronáutica".

Este mesmo princípio vale para o empréstimo negociado com a Renault, da qual o Estado possui 15% das participações.

"A indústria do automóvel está em jogo", disse o ministro, ao acrescentar que há um milhão de empregos ligados ao grupo em todo o território.

Desde o início da pandemia de Covid-19, que gerou uma crise "histórica", segundo o ministro, o governo francês já registrou 22.245 mortes.

A Air France opera atualmente apenas 5% da quantidade habitual de voos. Já a Renault comuninou que está reduzindo a estrutura de custos para conter o prejuizo de mais de 5 bilhões de euros registrado durante o primeiro trimestre de 2020.