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Agronegócio argentino teme efeito da saída do país de negociações do Mercosul

Alberto Fernández, presidente da Argentina - Gonzalo Fuentes/Reuters
Alberto Fernández, presidente da Argentina Imagem: Gonzalo Fuentes/Reuters

De Buenos Aires

30/04/2020 03h43

Cerca de 30 associações do setor agroindustrial na Argentina manifestaram nesta quarta-feira preocupação com a decisão do governo de Alberto Fernández de que o país deve se afastar das negociações comerciais que o Mercosul abriu com outros mercados.

"Queremos expressar nossa preocupação com a decisão do governo nacional de suspender sua participação nas negociações externas do Mercosul", disseram as entidades em carta ao ministro das Relações Exteriores argentino, Felipe Solá.

Na última sexta-feira, a Argentina decidiu se retirar das negociações que o Mercosul abriu com outros mercados, alegando que, diante da pandemia do novo coronavírus e seus efeitos sobre a economia mundial, optou por proteger suas empresas e os empregos locais.

O governo Fernández afirmou que a incerteza internacional e a própria situação da economia argentina, que está em recessão há dois anos, "fazem com que seja aconselhável conter o progresso" das negociações do Mercosul, posição que admite ser diferente da de seus parceiros regionais, que estão promovendo uma aceleração das negociações para selar acordos de livre comércio com Coreia do Sul, Cingapura, Líbano, Canadá e Índia, entre outros.

Ao mostrar preocupação com a decisão, o setor agroindustrial lembrou que é "um dos setores mais importantes e dinâmicos do país" e que a Argentina é um agroexportador cuja "capacidade de inserção internacional se deve, principalmente, pelo crescimento das exportações de alimentos, bioenergia e tecnologia agrícola".

"Entendemos que o ritmo de algumas negociações pode gerar inconvenientes neste contexto de pandemia e recessão global internacional, mas acreditamos que a Argentina deve retomar imediatamente sua participação ativa em todas as negociações do nosso bloco regional", afirma a carta.

De acordo com o texto, assinado pelos mercados de comércio de grãos e por produtores, processadores e exportadores de produtos agrícolas e derivados, entre outras entidades, todas as negociações do Mercosul devem "privilegiar o acesso efetivo" aos mercados em termos tarifários e não tarifários.

"Acreditamos que há uma oportunidade única de abrir um processo de consulta permanente com as entidades empresariais do setor para dialogar e realizar análises conjuntas de impacto econômico e comercial sobre as oportunidades de cada negociação", disseram os signatários.

Para eles, a Argentina, que está em recessão há dois anos e à mercê dos duros efeitos da pandemia sobre sua economia, precisa de "uma definição rápida de uma estratégia agressiva de exportação".

"Estamos convencidos de que a negociação de acordos comerciais é um passo nessa direção, permitindo à Argentina se consolidar como líder mundial na produção e exportação de alimentos, energia e bens e serviços de bioeconomia, saudáveis e de alta qualidade, produzidos de forma ambientalmente correta, gerando emprego e desenvolvimento em todas as regiões do país", concluíram.