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Apesar de pandemia, Carrefour aposta no Brasil para aumentar mercado, diz CEO de varejo

08/07/2020 17h32

Antonio Torres del Cerro, São Paulo, 8 jul (EFE).- O Carrefour Brasil, principal subsidiária estrangeira do grupo francês, está em processo de compra de ativos no país, apesar dos efeitos da pandemia sobre a economia, disse o CEO de varejo da empresa, Luis Moreno, em entrevista à Agência Efe.

O executivo espanhol acredita que o formato de hipermercado teve "um momento muito favorável" no Brasil como porta de entrada para atrair clientes para o Banco Carrefour, ao contrário do que está acontecendo na Europa, onde os hipermercados estão em crise.

A divisão de varejo do Carrefour, uma das quatro áreas de negócios em que a multinacional francesa opera no Brasil, emprega 38 mil pessoas, tem 450 lojas e um faturamento anual de cerca de US$ 5 bilhões.

Apenas semanas antes da divulgação dos resultados do segundo trimestre, que medirão o impacto da pandemia, a área de varejo aumentou no primeiro trimestre de 2020 suas vendas em 8,5% em comparação com o mesmo período do ano passado, graças em parte a um crescimento de 10% na demanda por produtos alimentícios.

Confira a entrevista:.

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Agência Efe: Como vocês estão lidando no Brasil com a pandemia?

Luis Moreno: Nossos clientes reconhecem como antecipamos as medidas de segurança. Fomos os primeiros a medir a temperatura na entrada do mercado. Todo o investimento que fizemos em higiene, protocolos, álcool em gel, máscaras e barreiras compensou em termos de comportamento do cliente. O essencial foi nos anteciparmos, e conseguimos um intercâmbio das melhores práticas com os Carrefours de Itália, França e Espanha, países fortemente impactados pela Covid-19. No Brasil, a pandemia chegou um mês e meio depois do que nesses países.

Efe: O Brasil continua sem conseguir controlar os casos de coronavírus. A situação social é tensa. Houve aumento no número de furtos?

Moreno: Não aconteceu por duas razões: o governo aprovou medidas para conter este risco. Um é o auxílio emergencial (do governo, de R$ 600, para trabalhadores informais, microempreendedores individuais, autônomos, desempregados e pessoas de baixa renda). Outros trabalhadores que estavam em outros setores do varejo que não o de alimentação, como lojas de roupas, foram cobertos pelo programa de suspensão de contratos de trabalho com ajuda dada pelo governo. Sem esta rede de segurança, a situação teria sido muito mais crítica. E, sim, estabelecemos uma rede de protocolos de segurança e de vigilância em todos os mercados e temos uma boa relação com as polícias locais, que nos ajudam a antecipar e prevenir alguns incidentes, ainda que sejam isolados. No momento, não temos uma preocupação em relação a esse aspecto.

Efe: Economicamente o Carrefour está saindo reforçado deste período de pandemia?

Moreno: Estamos sendo premiados pelo reconhecimento dos clientes diante das medidas que adotamos, e esse reconhecimento é traduzido em clientes com maior tendência a concentrar suas compras conosco. E esse comportamento é um estímulo interessante e que de alguma forma neutraliza todos os gastos e investimentos feitos em equipamentos e protocolos. Somente a medição de temperatura exige uma média de 2 pessoas por loja, e entre as pequenas e grandes temos 450 unidades. Então, estamos falando de 900 pessoas dedicadas exclusivamente a isso.

Efe: Antes da pandemia, o grupo Pão de Açúcar, principal concorrente, tinha uma estratégia um pouco mais conservadora, de vender ativos. Vocês seguiam outra tendência. Como se configura o cenário pós-pandemia?

Moreno: O Carrefour está em um processo de compra de ativos, e não de venda. Comunicamos em março a compra de 30 lojas do Makro para serem convertidas em unidades do Atacadão, e há alguns meses fizemos uma parceria com um grupo em Minas Gerais (Super Nosso), e continuamos vendo oportunidades. Já estávamos nessa fase de crescimento, e nem a Covid-19 vai alterar esse propósito, ao contrário, pode fortalecer.

Efe: Alguns analistas previram o fim dos hipermercados. Isso vale para o Brasil?

Moreno: O Carrefour já vinha com boa tendência de crescimento e conhecendo os atributos desse formato. E, nesse tempo de Covid, o formato hipermercado teve um momento muito favorável, porque o propósito inicial de ser uma 'one stop shop' (conceito de todas as compras em um só lugar) se tornou muito mais forte nesse período, já que os competidores de alimentação estavam fechados.

Efe: Então o grupo continuará apostando em hipermercados?

Moreno: Temos um componente adicional. Contamos com quatro áreas de negócio no Brasil: varejista, e-commerce, o 'Cash and Carry' (atacado de autosserviço) e a quarta peça superimportante, que é o Banco Carrefour. Ele tem mais de 5 milhões de cartões de crédito e possui esse nível de rentabilidade porque está conectado com os mercados Carrefour. O Banco Carrefour é a operação financeira do grupo Carrefour mais rentável. Já está presente em França, Espanha e Brasil, e a do Brasil é a de maior rentabilidade, mas a porta de entrada dos clientes são os clientes do hipermercado.

Quando avaliamos a rentabilidade de um hipermercado, avaliamos a parte física da loja e os clientes conectados a elas. O dado de fechamento de 2019 é que o Banco Carrefour gera 3 vezes mais lucros que o próprio varejo.