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Dez inovadoras iniciativas concorrem para resolver falta de água na A.Latina

17/07/2020 18h02

Santiago, 17 jul (EFE).- Purificadores portáteis, geradores de água potável movidos a ar e sistemas de água de baixo custo são algumas das soluções propostas pelos dez finalistas anunciados nesta sexta-feira no "Softys Water Challenge", uma competição que busca financiar iniciativas que proporcionem acesso à água a comunidades vulneráveis na América Latina.

A primeira edição do concurso, organizada pela empresa internacional de produtos higiênicos e sanitários Softys, parte do grupo de empresas CMPC, entra em sua última fase e se prepara para anunciar os três vencedores no dia 20 de agosto. O primeiro colocado receberá financiamento para tornar seu projeto realidade.

A iniciativa foi possível graças à participação da Fundação Amulén e do Centro de Inovação UC Anacleto Angelini, da Universidade Católica do Chile, que acompanharam os 20 candidatos que passaram pelo primeiro corte durante os últimos meses em seu "processo de aceleração", que envolve apoio em procedimentos técnicos, financeiros e regulatórios.

Entre os finalistas estão propostas de nove países, com abordagens diferentes para o mesmo problema: a falta de acesso à água em uma região onde mais de 37 milhões de pessoas não têm este bem indispensável, ainda mais fundamental agora para conter o avanço da Covid-19.

"Esta iniciativa se conecta com o fortalecimento do desenvolvimento das comunidades locais, um pilar fundamental de nosso Plano de Sustentabilidade 2020-2023, que é parte da Estratégia de Sustentabilidade Corporativa das Empresas CMPC", disse María José Ochagavía, subgerente de sustentabilidade regional da Softys, à Efe.

PURIFICADORES DE ÁGUA: DEVOLVENDO A ÁGUA À VIDA.

Vários projetos em disputa incluem o uso de purificadores de diferentes tamanhos e funcionamento.

É o caso do SolarAQ (Bélgica), um purificador compacto que pode ser configurado em apenas duas horas e que é capaz de produzir até 30 metros cúbicos de água por dia a partir de qualquer fonte superficial, poço ou chuva, utilizando energias renováveis.

A empresa mexicana Cavoxd busca tratar águas residuais sem o uso de produtos químicos, utilizando reatores que, através do uso de energias mecânica e elétrica, separam sólidos e eliminam gorduras, óleos, odores e bactérias para devolver a água resultante a um estado quase potável.

A PWTech (Brasil), por outro lado, propõe um sistema portátil e leve para purificar água poluída em rios, lagoas ou poços. Pode ser alimentada por geradores eólicos ou painéis fotovoltaicos e é capaz de produzir cerca de 5.000 litros de água por dia, abastecendo cerca de 150 pessoas.

Já a Remote Waters (Chile) propõe uma solução em escala de purificação de água do mar ou água poluída por meio da instalação de um recipiente equipado com tecnologia de membranas e energizado por painéis solares, com uma capacidade de produção de até 1.000 litros por hora, o que significa um abastecimento para de 40 a 100 casas e de 160 a 400 pessoas.

BOMBA HIDRÁULICA: CAMINHO PARA SACIAR A SEDE.

Muitas comunidades da região têm fontes naturais de água, mas devem gastar muito tempo e esforço para transportá-la até suas casas, de modo que outros projetos se concentram em melhorar ou criar essa infraestrutura.

A solução filipina AIDFI, por exemplo, utiliza uma bomba hidráulica de pistão para transportar água através de um sistema de baixo custo, que é, segundo seus criadores, 90% menor do que outras soluções com resultados similares.

Por outro lado, a iniciativa African Water Access Rwanda é capaz de criar uma rede segura de água potável a partir de poços ou fontes naturais próximas às residências através do uso de tubos de microrrede, além de um sistema de tratamento com energia solar.

GERAÇÃO DE ÁGUA POTÁVEL: BEBENDO DIRETAMENTE DAS NUVENS

O último grupo de iniciativas vai ainda mais longe ao considerar soluções para a geração de água potável diretamente desde o aproveitamento da chuva até a condensação do vapor de água na atmosfera.

A primeira delas é o peruano YAWA, um projeto que utiliza uma turbina eólica multifuncional para aproveitar a umidade atmosférica e transformá-la em água potável, uma tecnologia que pode ser implementada para melhorar o dia-a-dia das comunidades, tanto para o consumo quanto para a irrigação de projetos agrícolas.

O projeto mexicano Isla Urbana utiliza sistemas de coleta de água da chuva de diferentes proporções de acordo com as necessidades, capazes de fornecer às famílias reservas de água que podem durar de meses a um ano inteiro, permitindo também reduzir a pressão sobre as fontes naturais do meio ambiente.

E, por fim, o Watergen (Israel) também busca gerar água potável com um sistema de condensação semelhante ao utilizado por aparelhos de ar condicionado e capaz de gerar até 900 litros por dia em contextos de umidade e temperatura altas.

IMPORTÂNCIA DO COMPROMISSO AMBIENTAL.

O projeto que a Softys Water Challenge escolher como vencedor receberá como prêmio uma ordem de compra da empresa para implementar nos meses seguintes sua iniciativa em uma comunidade localizada idealmente perto de uma das instalações da CMPC.

Com isso, tanto a Softys como sua matriz, a CMPC, tomam medidas no caminho da estratégia de sustentabilidade que ambas assinaram no final de 2019, alinhadas com os objetivos da Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.

"Na Softys, procuramos contribuir para os compromissos sustentáveis das Empresas CMPC, com uma redução de 40% em nosso uso de água industrial até 2025. Na mesma linha, o Softys Water Challenge é uma ação concreta, com foco no acesso à água, para as comunidades mais carentes deste recurso na América Latina", explicou Ochagavía.