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Economia da zona do euro sofre queda recorde de 12,1% devido a pandemia

31/07/2020 15h01

Bruxelas, 31 jul (EFE).- O produto interno bruto (PIB) da zona do euro caiu no segundo trimestre 12,1%, e o da União Europeia como um todo, 11,9%, devido à pandemia do novo coronavírus, em quedas que foram as maiores desde o começo desses registros, em 1995, segundo informações do Eurostat, escritório de estatísticas do bloco.

O vírus SARS-CoV02 causou um colapso sem precedentes da economia de todos os principais países da zona, sendo o mais grave a Espanha, onde o PIB caiu 18,5% em relação ao trimestre anterior, à frente da França (13,8%), Itália (12,4%) e Alemanha (10,1%).

A contração econômica entre abril e junho foi mais de três vezes maior do que a registrada no primeiro trimestre de 2020, que foi de 3,6% na área de moeda única e 3,2% na do bloco dos 27, conforme previsto por instituições e analistas.

Embora as medidas para conter a pandemia tenham começado a ser implementadas em meados de março, foi em abril que foram decretados os confinamentos e restrições mais rigorosos na Europa, levando a uma enorme queda na atividade econômica. Essas iniciativas só começaram a ser parcialmente relaxadas em meados de maio, o que se reflete nos dados publicados hoje.

Em comparação com o segundo trimestre de 2019, a queda se estende a 15% na zona do euro e 14,4% na UE, de acordo com a primeira estimativa preliminar publicada pelo Eurostat. O escritório divulgará dados atualizados em 14 de agosto.

Entre os dez países para os quais existem dados disponíveis, a Espanha sofreu de longe a maior queda, com seu PIB caindo 18,5% como resultado da queda na demanda interna - consumo e investimento - e externa - exportações e importações.

É a maior contração desde que a série histórica do Instituto Nacional de Estatística começou, em 1970, e muito maior que a segunda maior queda trimestral da série, que foi de 5,2% no primeiro trimestre deste ano.

O segundo maior declínio trimestral na UE foi registrado em Portugal, com 14,1%, seguido pela França, cuja economia sofreu uma queda histórica de 13,8%, a maior desde 1949. A Itália, por sua vez, viu seu PIB se contrair em 12,4%, pior número desde 1995, enquanto na Bélgica o declínio trimestral foi de 12,2%, e na Áustria, de 10,7%.

Na Alemanha, a maior economia da UE, o PIB entrou em colapso em 10,1%, uma queda sem precedentes desde o período pós-guerra, que é mais de 9% previsto pelos analistas e duas vezes mais alto que os piores registros da crise financeira.

A queda do consumo privado, dos investimentos e das exportações e importações são o denominador comum na raiz da crise em toda a Europa. Embora muitos dos indicadores de atividade econômica que despencaram em abril começaram a se recuperar em maio à medida que a contenção foi relaxada, em muitas partes da UE houve até agora surtos localizados do SARS-CoV-2 que geram receios de uma reintrodução de restrições que poderiam dificultar a recuperação incipiente.

Em 2019, a União Europeia cresceu 1,5%, e a zona do euro, 1,2%. Antes da pandemia, a Comissão Europeia esperava que este ano fosse encerrado com um aumento do PIB de 1,4% e 1,2%, respectivamente.

O coronavírus forçou uma revisão drástica dessas previsões, que agora apontam para uma recessão em 2020 de 8,3% na UE e 8,7% nos países que adotam o euro como moeda. Há uma estimativa de retorno ao crescimento em 2021, o que, no entanto, não permitirá atingir os níveis do ano passado.