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Mourão: Brasil não deve deixar questão amazônica travar acordo Mercosul-UE

31/07/2020 15h00

São Paulo, 31 jul (EFE).- O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que o Brasil deve agir para que a questão ambiental na Amazônia não seja usada como argumento de alguns políticos e produtores rurais europeus para travar o acordo entre o Mercosul e a União Europeia.

O acordo político entre os blocos sul-americano e europeu, anunciado em junho de 2019 após duas décadas de negociações, foi interrompido em agosto do mesmo ano, quando países como a França criticaram a gestão ambiental do governo Jair Bolsonaro.

Recentemente, a Holanda, um dos 27 integrantes da UE, adotou uma resolução no Parlamento se opondo à ratificação do pacto, entre outras razões, por causa do desmatamento ilegal na Amazônia.

"Temos que fazer o trabalho junto aos parlamentos de diferentes países para que ratifiquem o tratado. É óbvio que o Brasil é uma potência agrícola. Hoje nós alimentamos mais de um bilhão de pessoas no mundo com tendência a avançar cada vez mais. É o nosso 'hard power'. Nós somos um competidor imbatível em itens como a soja, o milho, a carne, a proteína animal do boi, do porco, do frango e outros itens da nossa pauta, como frutas, frutas cítricas, suco de laranja. E isso é uma ameaça aos produtores locais da Europa, que vão fazer sua pressão", disse Mourão em entrevista à Agência Efe.

"O tema ambiental surge como uma válvula de escape. Então vai competir a nós deixarmos claro que a questão ambiental amazônica não está inserida nessa nossa produção", frisou.

Mourão também destacou a importância de que os parlamentos nacionais dos dois blocos ratifiquem o acordo.

"O período pós-pandemia é um período que eu considero extraordinário para nós entramos num daqueles que é um dos fundamentos do capitalismo e que (o economista Joseph) Schumpeter chamava de destruição criativa. Então, está na hora de a destruição criativa fazer seu trabalho e de todo mundo entender que, se nós não nos unirmos e não avançarmos na implementação desse acordo, que trará vantagem para os dois lados do Atlântico, vamos ficar marcando passo e perdendo mercado ou seremos atropelados por outros players", afirmou.