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Argentina faz pedido formal ao FMI para abrir negociações de novo acordo

27/08/2020 03h39

Buenos Aires, 26 ago (EFE).- O governo da Argentina enviou uma carta ao Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta quarta-feira para solicitar formalmente a abertura de negociações visando um novo acordo com a organização.

A carta foi enviada pelo ministro da Economia argentino, Martin Guzmán, e pelo presidente do Banco Central, Miguel Pesce, à diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, depois de uma longa conversa com o presidente do país, Alberto Fernández, de manhã.

Na carta, o governo disse que a Argentina enfrenta "grandes necessidades" em termos de balanço de pagamentos para o período 2021-2024, em sua maioria associadas ao pagamento da dívida ao FMI de cerca de US$ 44 bilhões.

"Neste contexto, solicitamos formalmente assistência financeira no âmbito de um programa com o Fundo Monetário Internacional, e convidamos a equipe para uma missão para iniciar as conversas", diz a carta.

De acordo com o Ministério da Economia, durante a conversa com Georgieva, Fernández destacou a necessidade de que um novo acordo entre a Argentina e o FMI "respeite os objetivos da recuperação econômica e resolva os problemas sociais mais urgentes".

"Um novo acordo que inclui um reescalonamento dos vencimentos da dívida com o FMI é um passo necessário para resolver a crise econômica à qual o país tem sido levado nos últimos anos e assim poder colocar e manter a Argentina em pé", disse Guzman no Twitter.

Por sua vez, Pesce afirmou que "é necessário que o próximo programa (de ajuda do FMI) leve em conta a estabilidade, assim como o crescimento da economia, do crédito e do mercado de capitais local".

A grande dívida da Argentina com o FMI foi gerada por um acordo de ajuda financeira assinado em 2018 pelo governo Maurício Macri com a organização.

O acordo, com metas fiscais difíceis, previa um total recorde de empréstimos de US$ 56,3 bilhões, dos quais cerca de US$ 44 bilhões já foram repassados, um valor que representa 13,5% da dívida total da Argentina e coloca o FMI como o maior credor externo do país.

O governo de Alberto Fernández já havia advertido que a Argentina não tem capacidade de pagar o FMI nos prazos estabelecidos.