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Facebook bloqueia vídeo de francês que desejava transmitir própria morte

05/09/2020 20h53

Paris, 5 set (EFE).- O francês Alain Cocq, que tem uma doença incurável e que neste sábado iniciou o abandono de seu tratamento como uma forma de protesto para reivindicar o direito a uma morte digna na França, denunciou que o Facebook bloqueou a transmissão.

Em sua página pessoal, ele mesmo havia apontado que, embora o vídeo não fosse conter imagens violentas, era melhor evitar ser visto por menores de 16 anos desacompanhados de seus responsáveis.

"O Facebook bloqueou meu 'streaming' até 8 de setembro", escreveu ele hoje na rede social, pedindo aos seus seguidores que reclamem com o presidente Emmanuel Macron, e com outras autoridades francesas e europeias.

Um porta-voz do Facebook afirmou em declarações publicadas pela emissora de rádio "France Info" que, embora respeitem a sua decisão de "querer chamar a atenção para esta questão complexa", tem tomado medidas para evitar a transmissão, pois suas regras "não permitem a representação de tentativas de suicídio".

Cocq, de 57 anos de idade e enfermo há 34 anos, dos quais os dois últimos esteve acamado, reivindicou seu direito à liberdade de expressão e pediu que as pessoas o ajudassem a impedir "imediatamente" que o Facebook não respeite esse "direito fundamental".

Hoje, ele parou de se alimentar e se hidratar, bem como de receber tratamento, para denunciar que a eutanásia não é legal na França e que lhe foi negado o recebimento de um barbitúrico para acabar com sua vida.

A sedação profunda só é autorizada para pacientes terminais e, embora Cocq tenha tentado fazer com que Macron intercedesse em seu nome, foi-lhe dito na última quinta-feira que "seu desejo de solicitar assistência ativa para morrer não é permitido atualmente pela lei francesa".

O presidente da Associação pelo Direito de Morrer com Dignidade, Jean-Luc Romero-Michel, disse ontem à Agência Efe que, embora Cocq mantenha todas as suas capacidades mentais, é totalmente dependente do plano físico e recebe a ajuda de quatro pessoas para todas suas necessidades, incluindo higiene pessoal. EFE

mgr/phg

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