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Com pior recessão em 40 anos, Chile aposta em vacinação bem-sucedida

18/03/2021 22h45

Santiago (Chile), 18 mar (EFE).- A economia do Chile terminou 2020 com uma contração de 5,8% devido à pandemia de covid-19, a maior queda do produto interno bruto (PIB) em quatro décadas, enquanto o governo aposta na recuperação com uma bem-sucedida campanha de vacinação.

O Banco Central divulgou nesta quinta-feira as contas nacionais de 2020, que não tiveram muitas surpresas e revelaram o que já era previsto: que o país não vivia uma crise tão grande desde 1982, quando o PIB despencou 11%.

Os dados do ano passado nem se aproximam de 2009, quando o PIB chileno registrou contração de 1,56%. Em 2018, o PIB do Chile, maior produtor de cobre do mundo, se expandiu 3,7%.

"É um dado complicado, mas um pouco melhor que o esperado. Esperamos que 2021 seja um ano melhor em termos econômicos, de saúde e sociais", disse o Ministro da Fazenda, Rodrigo Cerda.

O impacto da crise sanitária na atividade econômica ficou evidente principalmente no segundo e no terceiro trimestre, com contrações de 14,2% e 9%, respectivamente, enquanto o quarto trimestre mostrou sinais de moderação com uma variação nula.

Os número ajustados em relação ao trimestre anterior mostram uma queda de 13,1% do PUC no segundo semestre, seguida por aumentos de 5,1%, no teceiro, e 6,8%, no quarto.

A recuperação, de acordo com o banco, "esteve em linha com a suspensão gradual das medidas de controle sanitário, as medidas econômicas de estímulo e a retirada de parte dos fundos de pensões".

As atividades mais afetadas pelas restrições impostas foram a construção e os serviços (transportes, restaurantes e hotéis). Os únicos sectores que cresceram foram os de administração pública, a mineiração, financeiro e telecomunicações.

SEGUNDA ONDA E VACINAÇÃO.

A pandemia, que já resultou em 905.212 casos e 21.816 mortes no Chile, chegou em momento de fraqueza econômica do país, cujo PIB cresceu apenas 0,9% em 2019 devido à onda de protestos contra a desigualdade que começou em outubro do mesmo ano, a maior desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), com cerca de 30 mortes e milhares de feridos.

Com apenas 19 milhões de habitantes, o Chile chegou a ser um dos países mais afetados do mundo em números de contágios e mortes. Entre junho e julho, o país viveu momentos crítico, com a rede hospitalar à beira do colapso, atividades econômicas praticamente paralisadas e a maioria da população em quarentena total.

Desde dezembro do ano passado, o país vive uma segunda onda de contágios, com números diários próximos a 6 mil novos casos que lembram os piores momentos da pandemia.

Mais de 1,3 milhões dos 7 milhões de habitantes de Santiago começaram nesta quinta-feira um novo confinamento total por tempo indefinido, enquanto o resto da cidade só manterá a quarentena aos sábados e domingos. Academias e cinemas voltaram a fechar, e restaurantes são obrigados a fechar às 20h.

Embora dados preliminares de janeiro tenham mostrado uma nova queda de 3,1% no PIB, o Banco Central calcula um crescimento de 5,5% a 6,5% em 2021. O governo aposta todas as fichas na vacinação. Mais de 5,2 milhões de pessoas já receberam ao menos uma dose de vacina contra a covid-19 no Chile.

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