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BID cobra que América Latina aposte em relocalização e integração

19/03/2021 23h04

Barranquilla (Colômbia), 19 mar (EFE).- A América Latina deve aproveitar os efeitos econômicos da pandemia de covid-19, como a alteração das cadeias de abastecimento, e apostar na relocalização de empresas e na integração econômica, cobrou nesta sexta-feira o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A necessidade é especialmente urgente devido à profunda crise econômica e social na região, uma das mais duramente atingidas pela pandemia. Atualmente, a América Latina e o Caribe têm uma baixa participação nas cadeias globais de valor (produção e fornecimento em diferentes localizações geográficas), tanto em porcentagem quanto nas diferentes etapas, que no caso da região está concentrada principalmente na exportação de matérias-primas ou derivados.

Durante a agenda desta sexta-feira da assembleia de governadores do BID, que está sendo realizada de maneira virtual a partir da cidade de Barranquilla (Colômbia), um olhar comparativo foi traçado em relação a outras regiões.

O valor agregado das exportações dos países da região variou entre 18% e 19% nos últimos 30 anos, enquanto o percentual chega a 33% na Ásia e a 43% na União Europeia (UE), de acordo com dados da entidade.

ATRAINDO A RELOCALIZAÇÃO DE EMPRESAS.

"A América Latina e o Caribe devem fazer um esforço para conseguir uma maior integração regional, que, por sua vez, lhe permita se inserir mais eficientemente no mundo", disse o presidente do BID, Mauricio Claver-Carone, ao apresentar o painel "Investimento e fortalecimento das cadeias regionais de valor como um motor para a recuperação econômica".

Um dos elementos-chave é a proximidade com o maior mercado do mundo: os Estados Unidos.

Claver-Carone citou como exemplo a Colômbia, que segundo ele "já é o local de realocação de atividades em serviços tecnológicos, alimentos e bebidas, plásticos e resinas" e tem o potencial de expansão em setores como o farmacêutico e o automotivo.

O BID estima que, ao fortalecer suas cadeias de valor regionais no hemisfério, a América Latina e o Caribe podem elevar suas exportações para os Estados Unidos em US$ 70 bilhões com aumentos graduais em setores como o têxtil, o médico e o automotivo.

Para alcançar esse patamar, é essencial "melhorar a infraestrutura física e digital do comércio e avançar na agenda pendente de modernização e harmonização dos acordos comerciais e marcos regulatórios e normativos".

O painel contou com a presença do presidente da Colômbia, Iván Duque; do secretário-geral da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Ángel Gurría; e de vários executivos do setor privado.

O presidente colombiano destacou o potencial aberto para a região.

"Se competirmos em qualidade e preço e também estivermos próximos do mercado, a oportunidade estará aí para ser capitalizada. A realidade da pandemia é que ela nos alertou para as fragilidades da economia mundial e também para os riscos da economia dos EUA quando ela tem uma grande parte de sua cadeia de fornecimento industrial em locais a grandes distâncias", disse Duque.

A atividade econômica na região da América Latina caiu 7,4% em 2020, a maior queda em décadas, e apesar de uma recuperação projetada para este ano de 4,1% não é esperado que recupere seu nível pré-pandemia antes de 2023, principalmente devido ao forte impacto da crise sanitária sobre o emprego, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

CONVERSAS SOBRE AUMENTO DE CAPITAL.

Na agenda deste sábado da assembleia está prevista uma reunião entre os chefes de delegação dos 48 países membros do BID, que geralmente são os ministros da Economia ou presidentes dos bancos centrais, e será apresentado o relatório sobre as previsões macroeconômicas para a região.

Além disso, começarão as discussões sobre a necessidade de um aumento geral de capital da organização, e espera-se que no evento baseado em Barranquilla seja definida uma comissão de estudo formada por especialistas para estabelecer as condições e o volume deste aumento de capital no encerramento do evento, no domingo.

O último aumento de capital foi realizado em 2008.

Claver-Carone, primeiro americano a liderar o BID nas seis décadas de história da entidade, estabeleceu o objetivo de elevar os recursos disponíveis para empréstimos na região de US$ 12 bilhões para US$ 20 bilhões por ano.