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Belarus diz ter agido em "total conformidade" com as normas ao desviar avião

24/05/2021 20h43

Moscou, 24 mai (EFE).- O governo de Belarus assegurou nesta segunda-feira que sua autoridades agiram em "total conformidade" com as normas internacionais quando desviaram um avião da Ryanair, que fazia o trajeto de Atenas a Vilnius, para o aeroporto de Minsk no domingo, após o que detiveram um jornalista crítico ao regime.

"Não há dúvida que as ações das nossas autoridades competentes estavam em total conformidade com as normas internacionais estabelecidas", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores bielorrusso Anatoli Glaz em um comunicado publicado no site da chancelaria de Belarus.

O porta-voz disse ainda que o governo pode "assegurar total transparência e, se necessário, aceitar peritos e mostrar todo o material a fim de descartar insinuações" de que o regime desviou um avião civil sobre território europeu sob o falso pretexto de um aviso de bomba para deter o jornalista opositor Roman Protasevich.

O governo sustenta que o fato de entre os passageiros haver um "extremista" não influenciou a decisão de "ajudar o avião de passageiros que relatou problemas".

"É impressionante a pressa das declarações abertamente belicosas de uma série de países e instituições europeias. A situação foi sendo alimentada de uma forma clara e direta. São deliberadamente politizadas, ouvem-se acusações infundadas (...)", criticou Glaz, que acusou a comunidade internacional de não querer "compreender objetivamente" as ações de Belarus.

"Instamos aqueles que sucumbem a esta prática viciosa a recordar as regras e a segurança dos passageiros, a analisar tudo calmamente, a aguardar as conclusões dos peritos competentes. Só assim poderemos chegar a pelo menos uma conclusão digna", completou.

As autoridades bielorrussas criaram uma comissão para investigar as circunstâncias do desvio do avião e pretendem publicar os resultados da investigação "em breve", segundo informou o Ministério dos Transportes à agência de notícias russa "RIA Novosti".

O presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, ordenou no domingo o desvio do voo FR4978 da Ryanair após ter sido informado de "uma potencial ameaça" a bordo do avião e enviou um caça MiG-29 para escoltar o avião.

A companhia aérea irlandesa afirmou ontem em comunicado que a tripulação "foi notificada pelo serviço de controle de tráfego aéreo de Belarus de uma potencial ameaça à segurança a bordo e foi instruída a desviar-se para o aeroporto mais próximo, Minsk".

O canal de Telegram associado ao serviço de imprensa da presidência bielorrussa afirmou no domingo que "tanto Atenas como Vilnius estavam pedindo a Minsk que assumisse o comando".

O grupo especializado em eliminação de bombas não encontrou nenhuma bomba após o pouso do avião e o comitê de investigação de Minsk abriu um processo penal por "notificação conscientemente falsa de perigo", segundo relatou seu canal de Telegram.

Após o pouso, os passageiros foram obrigados a passar por um novo controle no terminal aéreo, no qual o jornalista opositor Roman Protasevich foi detido.

Protasevich, de 26 anos, é cofundador e antigo diretor do canal Nexta, declarado em outubro do ano passado como "extremista".

O canal foi fundamental para liderar os protestos antigovernamentais que irromperam após as eleições fraudulentas do ano passado e para expor a repressão do regime de Lukashenko através de fotos e vídeos.

Seus dois fundadores foram acusados de incitamento ao motim e ódio social contra funcionários e agentes da lei e violações graves da ordem pública, crimes puníveis com até 15 anos de prisão ou mesmo a pena de morte, de acordo com a oposição.

Além disso, a KGB bielorrussa colocou-os em uma lista de "pessoas envolvidas em atividades terroristas".