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Ghosn diz estar ansioso para encarar investigadores franceses no Líbano

25/05/2021 02h58

Nova York, 24 mai (EFE).- Investigado pelas autoridades da França, o ex-presidente de Renault e Nissan, Carlos Ghosn, que reside em Beirute desde 2019, após ter fugido do Japão, onde é acusado de ter cometido irregularidades financeiras, afirmou em entrevista ao "The Wall Street Journal" que está disposto a encarar os investigadores franceses.

"Estou ansioso para isso. Gostaria que tivessem vindo muito antes", disse o empresário brasileiro ao jornal em um hotel de luxo na capital libanesa.

Ghosn, que é investigado por tráfico de influência, desvio de recursos, apropriação indébita e lavagem de dinheiro pela Direção Nacional de Verificações de Situações Fiscais (DNVSF) francesa, não tem a intenção de voltarà França, motivo pelo qual está previsto que juízes franceses viajem a Beiture para interrogá-lo.

O empresário, de 67 anos, nega as acusações feitas por Japão e França e garante que não se arrepende do ano e meio que passou em sua residência no Líbano para evitar a prisão nesses países.

Ghosn fugiu do Japão com o argumento de que não teria um julgamento justo após ser preso, em 2018, e agora afirma que a França também não tratará o caso de maneira imparcial.

"Veremos. Julgarei com base nos fatos", disse Ghosn, que disse que a decisão das autoridades fiscais francesas de confiscar parte dos seus bens na França em dezembro, como medida de precaução, é um método para "enfraquecer" a sua defesa.

Ghosn tinha sido acusado em 2018, no Japão, de abusar da sua posição como chefe da Nissan em proveito pessoal e de ter conspirado para tentar esconder parte dos pagamentos recebidos. A França investiga se ele também abusou da sua posição à frente da Renault ao fazer duas festas em Versalhes, e se ele desviou milhões de dólares da empresa para outras companhias por ele controladas.

O ex-executivo diz que também não se arrepende de ter fugido do Japão e de ter deixado tudo para trás: "Perdi a minha vida, mas ganhei a minha liberdade. Eu teria morrido no Japão. Eu estava acabado", comentou.

Três antigos sócios de Ghosn ainda se encontram no Japão, onde enfrentam acusações decorrentes de sua prisão e fuga: dois americanos são acusados de organizar a sua viagem do Japão ao Líbano, e outro, Greg Kelly, que atualmente é julgado por supostamente ter ajudado a esconder seus pagamentos.

"Vejo este pobre Greg Kelly, apodrecendo no Japão", disse Ghosn, que vê o julgamento como injusto.