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Kirchneristas pedem prioridade à saúde, e não a dívida da Argentina com FMI

25/05/2021 22h03

Buenos Aires, 25 mai (EFE).- Vários líderes kirchneristas exigiram nesta terça-feira que o governo da Argentina dê prioridade a "saúde e vida" e propuseram que o país não pague suas dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e outras agências enquanto durar a pandemia de covid-19.

Em documento assinado por algumas das referências dessa corrente política e que foi promovido pela deputada governista Fernanda Vallejos, eles afirmam que os recursos econômicos disponíveis devem ser orientados para neutralizar os danos causados pela pandemia.

O documento aponta que a Argentina, que acumulou três anos de grave recessão, está em uma situação de "estado de necessidade" que "a impede de cumprir seus compromissos de dívida", especialmente com o FMI, com o qual o governo de Alberto Fernandez está negociando um acordo para refinanciar um débito de cerca de US$ 45 bilhões.

Por esta razão, os signatários do documento propõem, enquanto a emergência sanitária dura, sejam suspensos os pagamentos de dívidas e juros com o FMI e também com o Clube de Paris, o grupo de 22 países com os quais a Argentina deve quitar US$ 2,4 bilhões até o próximo domingo, sob o risco de uma nova moratória.

INSOLVÊNCIA ESTRUTURAL.

Segundo o documento, algumas projeções mostram que, com uma renegociação de 10 anos da dívida com o FMI e uma taxa de juros reduzida de 2% ao ano, a Argentina ainda precisaria gastar cerca de US$ 15 bilhões por ano para cumprir os compromissos com organizações privadas e credores.

"Outras projeções que alongam os prazos até 20 anos e reduzem a taxa de juros melhoram a situação, mas não resolvem a impossibilidade de pagar todos esses vencimentos", advertem os signatários, para quem existe uma "situação de insolvência estrutural", e "não de iliquidez temporária".

"A realidade se impõe: não podemos continuar a manter pagamentos de uma dívida pública que não foi contratada para atender às necessidades do povo ou do país", disseram eles.

Entre os signatários estão governadores, parlamentares, ex-membros dos governos de Néstor Kirchner (2003-2007) e Cristina Kirchner (2007-2015), líderes sindicais, médicos, acadêmicos, economistas e personalidades culturais, entre outros.

Nesta terça-feira, antes da divulgação do documento ser divulgada, o chefe de Gabinete da Argentina, Santiago Cafiero, disse que o governo de Alberto Fernández negocia com o FMI "com os interesses do país e dos argentinos acima da mesa".

"Estamos trabalhando com o Fundo há algum tempo e pensamos que estamos em um caminho muito construtivo de diálogo, no qual poderemos chegar a um acordo", afirmou Cafiero à rádio "Futurock".