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Pandemia e bloqueios podem frear recuperação da economia colombiana, diz OCDE

01/06/2021 00h17

Bogotá, 31 mai (EFE).- A economia da Colômbia está em recuperação desde o segundo semestre de 2020, mas o ritmo de crescimento pode ser afetado pelas restrições de mobilidade causadas pela pandemia e pelos protestos sociais, segundo destacou nesta segunda-feira a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Em seu relatório semestral de perspectivas econômicas, a OCDE projeta que o Produto Interno Bruto (PIB) do país crescerá 7,6% neste ano e cairá para 3,5% em 2022.

"A economia se recuperou fortemente desde o segundo semestre de 2020, mas a agitação social e as novas restrições à mobilidade em abril e maio de 2021 atrasarão uma recuperação mais consistente para o segundo semestre de 2021", observou a OCDE.

Após o colapso de 15,5% no segundo trimestre de 2020 devido à quarentena por conta da pandemia, o PIB do país amorteceu a queda para -8,5% no terceiro e -3,6% no quarto, fechando o ano com queda acumulada de -6,8%.

No primeiro trimestre deste ano, a economia colombiana deu novos sinais de recuperação graças à reabertura gradual das atividades produtivas e cresceu 1,1%, mas a conjuntura atual, com um terceiro pico da pandemia que parece não ter fim e protestos nas ruas, podem afetar seu desempenho.

"O PIB continuou sua forte expansão no primeiro trimestre de 2021. Desde então, a confiança do consumidor caiu drasticamente em meio a protestos sociais, bloqueios de estradas e interrupções na cadeia de abastecimento", acrescentou o relatório.

UM MÊS DE PROTESTOS.

Desde 28 de abril, a Colômbia vive uma onda de protestos que começou com a rejeição popular ao projeto de reforma tributária do governo e, apesar do presidente Iván Duque ter sido obrigado a retirá-lo, as manifestações continuaram com outras reivindicações que abriram caminho para o vandalismo, a destruição de infraestruturas e os bloqueios de estradas e avenidas.

"A agitação social generalizada, mas também os novos bloqueios localizados estão afetando a recuperação e adiando uma recuperação maior do consumo privado e do investimento para o segundo semestre de 2021", enfatizou o relatório da OCDE.

Com relação às reformas, a organização ressalta que "uma resposta fiscal significativa" ajudaria a economia este ano e "as finanças públicas poderiam se fortalecer progressivamente" à medida que se avança na recuperação.

"Um novo pacote de reformas deve fortalecer a sustentabilidade fiscal, criar um novo espaço fiscal para expandir a proteção social e abordar as deficiências estruturais do sistema tributário, incluindo pouca progressividade e justiça", acrescentou a OCDE.

Para a entidade, se não houver "consenso para fortalecer as finanças públicas, os custos de financiamento" da dívida da Colômbia nos mercados internacionais podem subir.

No último dia 20 de maio, a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) rebaixou a classificação de crédito da Colômbia em moeda estrangeira de BBB- para BB+ com perspectiva estável, com o que o país perdeu o grau de investimento que tinha por mais de uma década, o que na prática deve tornar o custo do dinheiro mais caro em suas emissões de dívida.

Além disso, de acordo com a OCDE, "uma reforma significativa do sistema fragmentado de seguridade social poderia aumentar as pensões de baixa cobertura e reduzir a pobreza na velhice", enquanto no mercado de trabalho "são necessárias reformas ambiciosas para fortalecer a criação de empregos formais".