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OIT teme que crise da pandemia siga destruindo milhões de empregos até 2023

02/06/2021 14h42

Antonio Broto.

Genebra, 2 jun (EFE).- A pandemia do coronavírus ainda destruirá o equivalente a 100 milhões de empregos de tempo integral em 2021, uma cifra que será reduzida para 26 milhões em 2022, embora até 2023 o crescimento dos postos de trabalho não vá conseguir compensar as perdas sofridas, segundo alertou nesta quarta-feira a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Em seu relatório atualizado sobre os efeitos da pandemia no mercado de trabalho, a OIT piora um pouco suas projeções do início deste ano, devido a fatores como a lentidão da vacinação em muitos países, que podem retardar a recuperação econômica.

O número de horas equivalente a 100 milhões de empregos destruídos inclui não apenas os empregos que a OIT estima que serão perdidos (cerca de 14 milhões em 2021), mas também aqueles que são o resultado da redução da jornada de trabalho.

REDUÇÃO DE PERDAS EM COMPARAÇÃO COM 2020.

Em 2020, a OIT estimou que a pandemia destruiu horas de trabalho equivalente a 255 milhões de empregos em todo o mundo, número que espera reduzir para mais da metade em 2021 e para a décima parte em 2022, embora os números ainda negativos mostrem que "a crise do trabalho está longe de terminar".

À luz das novas previsões, a organização sediada em Genebra espera que o número de desempregados no mundo chegue a 205 milhões em 2022, bem acima dos 187 milhões em 2019, o que significará uma taxa de desemprego de 5,7%, percentual que não alcançava desde 2013.

O relatório estima que as taxas de horas de trabalho perdidas no mundo foram de 4,8% no primeiro trimestre e 4,4% no segundo.

No entanto, na América Latina e na Europa, onde o mercado de trabalho foi mais afetado pela pandemia, o percentual de horas de trabalho perdidas foi maior, 8% no primeiro trimestre, enquanto se espera que chegue a 6% no segundo.

A OIT confia que a recuperação do mercado de trabalho mundial se acelerará no segundo semestre do ano, embora esta previsão esteja condicionada ao não agravamento da crise da saúde, com a desvantagem do acesso desigual às vacinas e da capacidade limitada de muitas economias para apoiar medidas de estímulo fiscal.

"Os efeitos positivos continuarão a ter um alcance geográfico limitado se as medidas não forem acordadas em nível internacional, tanto no que diz respeito à distribuição de vacinas quanto à ajuda financeira, incluindo o alívio da dívida", destacou a OIT.

QUALIDADE DO EMPREGO TAMBÉM PIORA.

Por outro lado, a organização alerta que muitos dos novos empregos que foram criados na esperada recuperação são de pior qualidade, algo em que podem ser especialmente vulneráveis os quase dois bilhões de trabalhadores que vivem na economia informal.

"Não pode haver recuperação real sem a recuperação de empregos decentes", advertiu o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, que recomenda estratégias coordenadas entre os governos para ajudar os setores mais afetados, como hotelaria, comércio, construção e indústria.

Além disso, a OIT estima que haja agora mais 108 milhões de "trabalhadores pobres" (aqueles que têm que sobreviver com menos de US$ 3,2 por dia), o que representa um retorno aos números de 2015 e que dificulta ainda mais o objetivo de desenvolvimento sustentável de erradicar a pobreza no mundo até 2030.

O relatório da organização ressalta também que as mulheres foram mais afetadas do que os homens no mercado de trabalho durante a pandemia, como mostra o fato de o emprego feminino ter diminuído 5%, em comparação com 3,9% do masculino.

O mesmo se pode dizer do emprego jovem, que caiu 8,7% em 2020, quando a média dos adultos era de 3,7%, em consequências para as gerações que entram no mercado de trabalho que, segundo a OIT, "podem durar muito anos".

Para promover a recuperação do mercado de trabalho, a OIT recomenda em seu relatório que os governos invistam em setores que possam ser fonte de empregos decentes e promovam o diálogo social.