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Governo colombiano diz que comitê de greve suspendeu diálogo unilateralmente

07/06/2021 21h58

Bogotá, 6 jun (EFE).- O governo da Colômbia anunciou neste domingo que o Comitê Nacional de Greve (CNP), composto principalmente por sindicatos, decidiu suspender unilateralmente o diálogo instalado há quase um mês sem chegar a nenhum acordo para reduzir a crise na Colômbia.

"Hoje, o Comitê decidiu suspender unilateralmente o diálogo na mesa de negociações. Nós, o governo, estamos prontos", declarou o porta-voz do Poder Executivo e assessor presidencial para Estabilização e Consolidação, Emilio Archila.

As conversações entre o gabinete do presidente Iván Duque e o Comitê têm sido realizadas em várias sessões sem qualquer progresso. O governo solicitou a suspensão dos bloqueios de vias, enquanto os grevistas acusam o governo de não querer assinar um protocolo de garantias para protesto pacífico, o que limita o uso da força pela polícia.

Em uma nota oficial, Archila afirmou que a CNP deixou o país "em falta de soluções e sem ter condenado os bloqueios", enquanto o poder público está disposto a "chegar a um texto de garantias e, acima de tudo, a abordar as questões da lista", que o Comitê apresentou com exigências como uma renda básica e garantias para poder se manifestar.

"Dado que o Comitê de Greve não representa toda a população protestante, manteremos todos os outros espaços com todos os outros representantes, fortaleceremos o diálogo com os jovens e nas regiões e, apesar do que estão fazendo hoje, estamos igualmente abertos para explorar com o CNP", avisou o governo.

Uma "amostra" da vontade de diálogo, segundo Archila, é o anúncio feito por Duque esta manhã para processar uma reforma "substancial" da polícia para adaptá-la ao quadro internacional, após as queixas que foram feitas por uso excessivo da força na contenção dos protestos que vem afetando o país desde 28 de abril.

FALTA DE DISPOSIÇÃO DO GOVERNO.

Por sua vez, o Comitê Nacional de Greve disse em comunicado emitido após o pronunciamento do governo que suspende a negociação que a equipe de Duque não está interessada e atrasou, de propósito, a negociação da lista de emergência, apresentada em 19 de junho de 2020. "A atitude do governo nos leva a suspender a negociação e avaliar a continuidade das conversações avançadas com o governo", disseram os grevistas.

O CNP revelou que entregará à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) um pré-acordo datado de 24 de maio que trata dos "mínimos para garantir o exercício do protesto social pacífico". A entidade começará uma visita ao país na próxima terça-feira para uma avaliação do ocorrido durante os protestos em território colombiano.

O Comitê também pediu ao governo para revogar um decreto autorizando a implantação militar em cidades onde a ordem pública é perturbada por motins. Eles reiteraram a condenação da violência, o apego à mobilização pacífica e a decisão de "exigir o fim dos danos à propriedade pública e privada e do vandalismo das forças de segurança e dos indivíduos".

O grupo sindical se reuniu pela primeira vez com uma delegação do governo chefiada por Duque no dia 10 de maio. Desde então, eles realizaram encontros regulares, em que o presidente deixou de participar e que foram lideradas pelo Alto Comissário para a paz, Miguel Ceballos. No entanto, este renunciou em 23 de maio.