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Justiça espanhola aceita extraditar criador do antivírus McAfee aos EUA

23/06/2021 22h08

Madri, 23 jun (EFE).- A Justiça da Espanha aceitou nesta quarta-feira o pedido de extradição para os Estados Unidos de John McAfee, criador do famoso antivírus de computador de mesmo nome, por sonegação de impostos, por supostamente ter ocultado altos rendimentos entre 2016 e 2018.

Na resolução da Audiência Nacional espanhola, à qual a Agência Efe teve acesso, é dado o sinal verde à extradição de McAfee pelos eventos relacionados aos anos 2016, 2017 e 2018, mas não pelos correspondentes a 2014 e 2015, uma vez que na Espanha seriam constitutivos de infração administrativa.

Ao contrário da tese de defesa, o tribunal descartou que haja indícios de "perseguição motivada por razões políticas, ideológicas ou semelhantes", uma vez que, "além das alegações verbais" de McAfee, nenhuma "prova reveladora foi fornecida" nesse sentido.

McAfee, sobre quem pesa um segundo pedido de extradição dos EUA, foi preso em outubro do ano passado no aeroporto de El Prat, em Barcelona, quando se preparava para pegar um voo para Istambul, na Turquia.

Desde então, o americano permanece em prisão preventiva, depois que o tribunal também rejeitou seu último pedido de libertação, por considerar que o "risco de fuga continua a ser evidente" e pelo fato de o acusado não apresentar "nenhum sinal apreciável de raízes".

Durante a audiência de extradição, o empresário, cuja dívida fiscal nos Estados Unidos é de mais de US$ 4 milhões, alegou ter pago "milhões de dólares em impostos" e disse ter sido vítima de perseguição política por ter denunciado corrupção na agência tributária dos EUA.

"Não há provas críveis de que tal coisa possa estar acontecendo", respondeu a Audiência Nacional espanhola, que acrescentou que o pedido de extradição "tem proteção sob o crime contra o erário público - a evasão fiscal -" e que atende os requisitos para ser aceita.

O empresário também disse que decidiu entrar na política e participou das primárias do Partido Libertário, "um partido político radical e muito minoritário - segundo suas próprias declarações -, em que nem mesmo foi eleito candidato", detalhou o tribunal espanhol, que não viu "ligação óbvia" entre esse fato e o pedido de extradição.

Por fim, a Audiência Nacional espanhola sustenta que as alegações referentes ao estado de saúde da McAfee, de 75 anos, "carecem de qualquer virtualidade" quanto à procedência da extradição e negou seu pedido de anulação do processo para dar ao Reino Unido, de onde também tem nacionalidade, a oportunidade de solicitar sua entrega, o que será avaliado "quando for o caso".