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Fernández pede respeito ao "consenso" e cumprimento da lei do Mercosul

09/07/2021 01h40

Buenos Aires, 8 jul (EFE).- O presidente da Argentina, Alberto Fernández, defendeu nesta quinta-feira, durante a cúpula do Mercosul, a necessidade de cumprir a normativa do grupo e respeitar o "consenso" de seus membros ao negociar acordos comerciais com outros países, após o Uruguai ter anunciado na véspera a intenção de começar a negociar fora do bloco.

"A nossa posição é clara: acreditamos que o caminho é cumprir com o Tratado de Assunção, negociar juntos com outros países ou blocos e respeitar o consenso, com base na tomada de decisões em nosso processo de integração", disse o mandatário em discurso de abertura do evento virtual.

FORTES DIFERENÇAS DENTRO DO BLOCO.

Esta reunião, na qual a Argentina passará a presidência semestral do grupo ao Brasil, vem após o Uruguai ter anunciado aos parceiros, em reunião de ministros das Relações Exteriores, que começará a negociar acordos comerciais com países de fora do bloco, aprofundando as diferenças que já tinham sido verificadas dentro do bloco em matéria de política comercial.

"Acreditamos no consenso, que é a espinha dorsal do Mercosul, tal como os seus estatutos estabelecem. Consenso significa respeitar a lei do nosso bloco, o seu DNA fundador, a sua razão de ser. Acreditamos que não podemos desistir deste princípio", disse Fernández diante da tela e dos ouvidos dos presidentes Jair Bolsonaro, Mario Abdo Benítez (Paraguai) e Luis Lacalle Pou (Uruguai).

O presidente argentino foi categórico: "Somos todos parte de Estados de direito e o respeito pela lei é uma regra. Não podemos nos esquecer dessas regras em um contexto global de grande incerteza e disputas comerciais que são vividas em todo o mundo", declarou.

Também participam da cúpula, por serem países associados ao Mercosul, os presidentes Sebastián Piñera, do Chile; Guillermo Lasso, do Equador; e Irfaan Ali, da Guiana; além da vice-ministra colombiana de Assuntos Multilaterais, Adriana Mejía; e do vice-presidente da Bolivia - país que está em processo de adesão ao Mercosul -, David Choquehuanca.

TARIFA EXTERNA.

Nos últimos meses, a tensão no Mercosul tem sido sentida principalmente em questões relacionadas com a chamada Tarifa Externa Comum (TEC) e o mecanismo para as negociações comerciais externas como um bloco único.

Enquanto Brasil e Uruguai pedem um bloco menos protecionista, com uma tarifa externa mais baixa e mais aberto a acordos com outros mercados, a Argentina propõe reduções tarifárias mais moderadas e seletivas que não afetem os produtos nacionais incapazes de competir com as importações de outros mercados.

"A Argentina, como presidente temporária, tem liderado as discussões sobre a revisão da pauta externa comum e sobre a política de relações externas do bloco", acrescentou Fernández.

O governante argentino disse que seu país enfatizou "especialmente a necessidade de o processo de revisão da Tarifa Externa Comum considerar os setores sensíveis e para ter um sentido produtivo, visando a redução dos insumos e matérias-primas e a manutenção dos atuais níveis de proteção dos bens finais, promovendo o reforço das cadeias de valor regionais".

"O consenso é a forma mais racional de preservar os nossos interesses comuns, reforça a coexistência e coloca na mesa do debate o quanto precisamos um do outro", insistiu.

Na opinião de Fernández, apenas "unidos" os países podem "consolidar um Mercosul criativo, que avança de mãos dadas com os seus povos, e não se rompe impondo visões unilaterais". EFE

rgm/vnm

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