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Chile é o país da OCDE com menos confiança em seu governo

10/07/2021 00h55

Paris, 9 jul (EFE).- O Chile foi em 2020 o país da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com a menor adesão de sua população ao governo, já que apenas 15% tinha confiança nele, após uma forte deterioração desde 2007, quando estourou a crise financeira, e ainda gerava 43% de confiança.

Em seu relatório bienal sobre governos e administração publicado nesta sexta-feira, a OCDE especifica que, no período em questão, apenas na Bélgica a piora da confiança no governo foi mais forte, caindo 31 pontos percentuais, para 29%.

A adesão também caiu significativamente na Costa Rica (17 pontos, para 28%), Colômbia (14 pontos, para 37%) e na Espanha (10 pontos, para 38%).

Nos países da OCDE como um todo, porém, 51% das pessoas confiavam em seus governos em 2020, o que é 6,3 pontos percentuais a mais do que em 2007.

Esta tendência de melhoria foi particularmente marcada na Islândia (35 pontos adicionais, para 59%) e na Alemanha (30 pontos, para 65%). A maior confiança foi registrada na Finlândia (81%) e em Luxemburgo (78%).

O que mais chama a atenção no relatório é que a opinião melhorou consideravelmente após a eclosão da crise da covid-19 no início do ano passado.

Em termos relativos, este aumento atingiu mais de seis pontos percentuais em junho e julho em países como Luxemburgo, Finlândia e Dinamarca e até quase cinco pontos na Espanha.

A organização observa que os governos introduziram milhares de medidas regulatórias como uma questão de urgência, algumas inevitáveis, devido a circunstâncias excepcionais.

No entanto, a OCDE insiste que essas medidas especiais devem ser limitadas em seu alcance e validade, para evitar deteriorar a percepção dos cidadãos sobre a transparência e a relevância da ação do governo.

O conselho da organização é concentrar esforços em três áreas para fortalecer a confiança e a transparência e, assim, fortalecer a democracia, começando pelo combate à desinformação.

Além disso, considera essencial fortalecer a representação e a participação, o que inclui a promoção da inclusão de grupos como mulheres, jovens e grupos sub-representados.

A OCDE sugere ainda que os governos "têm que aprender a gastar melhor", ou seja, aumentar a eficiência, garantir que as prioridades vão para o público com maior necessidade e melhorar a qualidade dos serviços públicos.

Nesse sentido, vale lembrar que, nos pacotes para enfrentar a crise do coronavírus, os países-membros destinavam até março deste ano cerca de 16,4% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em gastos adicionais (ou pelo efeito da diminuição de sua arrecadação)

A isso se somam mais 10,5% do PIB em outras medidas de liquidez para empresas, injeções de capital, créditos ou assunção de dívidas.

As diferenças entre os países-membros também são enormes neste ponto. Enquanto os Estados Unidos conseguiram injetar 25,5% de seu PIB nesses tipos de medidas e 2,4% em gastos públicos adicionais; o México destinou apenas 0,7% e 1,2%, respectivamente.