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Bruxelas propõe que apenas carros limpos sejam vendidos na UE até 2035

14/07/2021 22h57

Bruxelas, 14 jul (EFE).- A indústria automotiva europeia, que representa 6% do emprego e mais de 7% do PIB do bloco, terá que eliminar gradualmente os motores poluentes para que apenas veículos limpos sejam comercializados na União Europeia (UE) até 2035, sendo o carro elétrico o grande trunfo do futuro.

Essa é a proposta da Comissão Europeia com o grande pacote legislativo para descarbonizar a economia da UE até meados do século, iniciativa que precisará ser negociada com os Estados-membros, representados no Conselho, e com o Parlamento Europeu.

"Cerca de 20% das nossas emissões continuam procedendo de nossas estradas", declarou nesta quinta-feira a comissária europeia de Transporte, Adina Valean, durante a apresentação da proposta legislativa da Comissão Europeia.

Apesar do grande impulso ambiental que se pretende dar à indústria automotiva, o esforço é concebido como um estímulo para que o setor se torne mais competitivo no futuro sem emissões de CO2.

"Não vamos deixar a nossa indústria abandonada, não vamos desindustrializar a Europa com a nossa política climática", dizem fontes europeias.

VEÍCULOS ELÉCTRICOS.

Segundo a proposta de Bruxelas, a meta de poluição máxima por veículo de 95 gramas de CO2 por quilômetro terá de ser reduzida até 55% para os carros até 2030 e 50% para as vans. Os limites atuais são de 37,5% e 31%, respectivamente.

"Só 37,5% menos que 95 gramas não é suficiente, mas não é uma piada", dizem fontes da UE, que ressaltam que a indústria está fortemente envolvida na sua transformação.

Haverá uma revisão geral da proposta em 2028, mas não são esperadas alterações até ao final da década, de modo que a indústria tenha tempo para se adaptar à transição.

A partir de então, a Comissão quer eliminar gradualmente os incentivos aos veículos elétricos, o que até essa data "já deve ter entrado em vigor", explicou um funcionário de alto cargo da UE.

Em 2035, Bruxelas quer que apenas veículos com zero emissão sejam vendidos na UE, o que de fato, dependendo dos atual desenvolvimento tecnológico, deixaria os carros elétricos como única opção no mercado e tornaria as tecnologias híbridas transitórias.

Esta data é mais ambiciosa do que a data estabelecida por alguns países, como Espanha e França, e está de acordo com os planos recentemente anunciados pela Volksvagen, a maior fabricante de automóveis da UE.

Bruxelas conta que a frota de combustão será completamente substituída até 2050, altura em que todo o setor dos transportes já deverá ter reduzido as emissões em 95%.