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Sem internet, cubanos recorrem a VPN para driblar a censura

14/07/2021 23h39

Havana, 14 jul (EFE).- Passados três dias desde os protestos em Cuba, a conexão à internet móvel no país continua cortada, mas uma minoria já recuperou o serviço de dados e alguns jovens têm utilizado plataformas de redes privadas virtuais (VPN) para ficar online.

Até esta quarta-feira, a maioria dos cubanos continua sem acesso à internet nos celulares, o que na prática significa um apagão quase total, já que poucas residências no país têm conexão Wi-Fi.

Neste cenário, alguns cidadãos de todo o país, principalmente jovens, têm recorrido a plataformas de VPN - como Psiphon e Thunder- e outros truques para driblar a censura e acessar as redes 3G e 4G, controladas pelo monopólio estatal da Empresa de Telecomunicações de Cuba (Etecsa).

"É preciso ativar os dados e depois a VPN, e colocá-la na região dos Estados Unidos. Depois, colocar o telefone em modo avião por cinco segundos e, ao desativá-lo, se conecta", explicou à Agência Efe uma mulher de 26 anos que mora em Havana e conseguiu acessar a internet nesta quarta-feira, após dois dias e meio desconectada.

Também foram reportados casos excepcionais de cubanos que recuperaram a conexão de forma intermitente, sem ajuda de VPN, mas não podia acessar alguns aplicativos, como o WhatsApp.

As redes Wi-Fi privadas e em espaços públicos não pararam de funcionar em Cuba, mas tiveram restrições intermitentes no WhatsApp.

O serviço de internet móvel ficou desabilitado no domingo, após os protestos contra o governo se ampliarem por todo o país, em meio a uma grave crise econômica e sanitária e à escassez de alimentos, medicamentos e produtos básicos.

O corte da internet interrompeu a rotina de parte dos trabalhadores do país, já que o trabalho remoto foi adotado por muitos setores.

A Etecsa não ofereceu nenhuma explicação para o apagão. Na terça-feira, o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, comparou "as interrupções da eletricidade" com outras dificuldades do país.

"É verdade que faltam dados, mas também faltam medicamentos", disse o chanceler, sem reconhecer explicitamente a responsabilidade do governo.