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Americanos que ajudaram Ghosn a fugir são condenados à prisão no Japão

19/07/2021 19h34

Tóquio, 19 jul (EFE).- Os dois americanos acusados de ajudar o empresário Carlos Ghosn a fugir do Japão enquanto o ex-presidente da Nissan aguardava julgamento foram declarados culpados e condenados a penas de prisão nesta segunda-feira.

O Tribunal Distrital de Tóquio condenou a dois anos de prisão o veterano do Exército americano Michael Taylor, de 60 anos, e a um ano e oito meses o seu filho Peter, de 28, segundo a agência "Kyodo".

Os dois acusados se declararam culpados e pediram desculpas pelo papel na fuga do empresário. A defesa de ambos havia pedido a suspensão da sentença.

No Japão, quem se declara culpado também é submetido a julgamento, mas a colaboração com as autoridades pode resultar em penas menores ou condenações suspensas, sem prisão.

Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público japonês, os Taylor ajudaram Ghosn a escapar da casa onde residia em Tóquio enquanto estava em liberdade sob fiança. Ele se deslocou para Osaka no dia 29 de dezembro de 2019, de onde pegou um voo clandestinamente.

Ghosn viajou escondido em uma mala para instrumentos musicais que passou pelos controles do aeroporto aproveitando uma brecha no sistema. Em avião privado, o empresário seguiu para o Líbano fazendo escala na Turquia, apesar de estar proibido de sair do Japão devido às condições de sua fiança.

Atualmente, o empresário, que possui tripla nacionalidade (brasileira, francesa e libanesa), está em Beirute, e o Líbano não possui tratado de extradição com o Japão.

Michael e Peter Taylor foram extraditados ao Japão em março deste ano, após serem detidos a pedido do Ministério Público japonês em maio de 2020 em Massachusetts, nos Estados Unidos. Eles tentaram recorrer à Suprema Corte, mas o tribunal rejeitou o pedido.

Os Taylor permaneceram sob custódia das autoridades japonesas no mesmo centro de detenção de Tóquio no qual Ghosn passou mais de cem dias antes de ser liberado com pagamento de fiança.

Ghosn foi preso no Japão, em novembro de 2018, acusado de cometer irregularidades financeiras e abuso de confiança.