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Cocaleiros bolivianos contrários a dirigente governista retomam mercado

05/10/2021 05h09

La Paz, 4 out (EFE).- Os produtores de folha de coca da Bolívia que se opõem a um dirigente que eles apontam como apoiador do governo do presidente do país, Luis Arce, retomaram nesta segunda-feira o controle da sede da associação que os representa e do mercado legal para a venda da planta em La Paz após um novo confronto com a polícia.

Milhares dos chamados "cocaleiros" que haviam se reunido no bairro Villa El Carmen saíram em passeata rumo à sede da Associação Departamental de Produtores de Coca de La Paz (Adepcoca), em Villa Fátima, também na capital boliviana.

Como nos últimos dias, a manifestação se deparou com barreiras montadas pela tropa de choque da polícia local, que até hoje impedia os participantes de entrar na sede da Adepcoca, onde também funciona o mercado para a venda legal de coca.

Desta vez em quantidade muito maior, os produtores conseguiram avançar jogando pedras e detonando pequenas bombas. Os policiais responderam com gás lacrimogêneo, mas acabaram recuando junto com outro grupo de cocaleiros liderado por Arnold Alanez, o dirigente reconhecido pelo governo nacional e que estava no controle da entidade.

Após retomarem a sede, alguns produtores começaram a dançar ao som de uma banda musical indígena que acompanhava a passeata, enquanto outros denunciaram o desaparecimento de equipamentos de informática e folhas de coca que estavam armazenadas no mercado.

Um representante dos cocaleiros que reassumiram a Adepcoca descreveu o dia como "histórico".

"O produtores de folha de coca recuperaram sua casa, apesar de o governo querer nos impor um líder e nos tirar de nossa sede", disse ele a jornalistas.

"Queremos dizer ao governo para não interferir em uma instituição privada. Esta instituição pertence aos produtores de folha de coca das três províncias de La Paz", acrescentou.

ORIGEM DO CONFLITO.

Duas alas dos produtores de coca identificadas como apoiadoras do partido governista Movimento ao Socialismo (MAS) e uma terceira, ligada ao líder opositor Armin Lluta, disputam o controle da Adepcoca.

No último dia 20, o dirigente Arnold Alanes proclamou-se o principal chefe da entidade, apesar da rejeição dos cocaleiros liderados por Lluta, e tomou o controle da sede.

Alanes alegou à imprensa boliviana na ocasião que sua presidência é legítima e garantiu que a Adepcoca será "despolitizada", apesar de seus críticos o apontarem como um apoiador do governo do presidente Luis Arce e do partido Movimento ao Socialismo (MAS), de Evo Morales.

O conflito entre os cocaleiros que apoiam ou se opõem ao MAS remonta a 2019, quando uma ala elegeu Elena Flores, que era apoiada pelo partido.

Um ano depois, um bloco de cocaleiros chegou à sede do mercado de coca em La Paz e elegeu Lluta como seu representante máximo, destituindo Flores, que em seguida entrou com um recurso na Justiça, que decidiu a seu favor.

O mercado da Adepcoca em La Paz e o mercado da cidade de Sacaba, no departamento de Cochabamba são os dois únicos reconhecidos por uma lei que rege o comércio de folhas de coca na Bolívia, onde elas têm usos tradicionais e medicinais, embora uma parte seja desviada para o tráfico de drogas, para a produção de cocaína. EFE

gb/id

(foto) (video)

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