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Equador congela preço de combustíveis após impasse com movimentos sociais

22/10/2021 18h54

Quito, 22 out (EFE).- O presidente do Equador, Guillermo Lasso, anunciou nesta sexta-feira o congelamento do preço dos combustíveis e que aplicará "sem exceções" os preços oficiais da cesta básica no país, após um impasse com os movimentos sociais sobre as suas reformas tributária e trabalhista.

"Estão suspensos os aumentos mensais dos preços dos combustíveis, e o preço da gasolina extra está fixado em US$ 2,55 e o preço do diesel para o transporte público, comunitário, escolar, de turismo, carga pesada, misto e geral está fixado em US$ 1,90", anunciou o presidente.

Os movimentos sociais tinham convocado uma manifestação para a próxima terça-feira para exigir estas medidas, após meses ao longo dos quais os preços dos combustíveis subiram mais de 40% em virtude de um sistema de faixas de preços estabelecido pelo ex-presidente Lenín Moreno, o que tinha mitigado a perda de receitas estatais provenientes dos subsídios históricos do país.

Lasso argumentou que a sua decisão se baseava na necessidade de "trazer estabilidade aos bolsos dos equatorianos".

"Ouvimos vocês, cidadãos, e também os setores sociais e políticos para gerar acordos que nos levem a um ambiente estável no qual possamos crescer e gerar emprego", disse o presidente em pronunciamento público nesta sexta-feira.

QUESTÃO SENSÍVEL.

Os preços dos combustíveis são uma das questões mais sensíveis na sociedade equatoriana e uma tentativa de Moreno, em 2019, de eliminar subsídios levou a uma onda de protestos nos quais pelo menos seis pessoas morreram e mais de 1.500 ficaram feridas.

Moreno recuou para acalmar o país, mas, meses depois, com o preço do petróleo baixo devido à covid-19, criou um sistema de flutuação que de certa forma teve um efeito semelhante.

O preço no Equador estava sujeito ao mercado internacional e o aumento dos preços do petróleo em 2021 fez subir o custo de todo o combustível.

Em relação às exigências de controle do aumento do preço dos produtos básicos feitas pelo movimento indígena, Lasso assegurou que ordenou "às autoridades do Governo Nacional que protejam a economia familiar".

"Dei instruções aos governadores e prefeitos para aplicarem, sem exceções de qualquer tipo, os preços oficiais de arroz, leite, frutas e todos os produtos da cesta básica", acrescentou.

RECEIO DE CRISE.

O anúncio vem após várias semanas de cabo de guerra com a liderança do movimento indígena CONAIE, cujo presidente, Leonidas Iza, havia convocado grandes protestos para a semana que vem.

Lasso disse hoje que "este governo não sente que é dono da verdade". Pelo contrário, "sabe que a criação de oportunidades não é apenas a tarefa do governo, mas de todos", comentou.

E apesar das suas últimas falas, nas quais avisou aos apoiadores que não permitiria motins como os que abalaram Quito há dois anos, o presidente adotou nesta sexta-feira um tom menos conflituoso e mais conciliatório em uma aparente tentativa de aliviar a pressão. EFE

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