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Economia de Cuba se contrai em 13% durante a pandemia, aponta relatório

28/10/2021 01h54

Havana, 27 out (EFE).- O produto interno bruto (PIB) de Cuba se contraiu em 13% entre 2020 e setembro de 2021, "um impacto realmente duro" para o país, informou nesta quarta-feira o vice-primeiro-ministro e ministro de Economia e Planejamento cubano, Alejandro Gil.

No relatório sobre o estado da economia apresentado à sessão plenária da Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP, parlamento unicameral), o ministro atribuiu este comportamento ao endurecimento do embargo econômico dos EUA contra Cuba e aos efeitos da pandemia de covid-19.

Sobre as receitas em moeda estrangeira, um dos déficits sofridos pela economia cubana, Gil disse que no final de setembro tinham sido gerados cerca de US$ 2 bilhões (60% do plano), e recordou que em 2020 o país tinha perdido US$ 2,4 bilhões.

No âmbito das exportações, o ministro disse que elas representavam cerca de US$ 1,344 bilhão em produtos, 68,7% do plano, enquanto as importações rondavam os US$ 5,8 bilhões (65%).

O ministro especificou que US$ 1,348 bilhão foram destinados à compra de alimentos básicos, valor que ele considera "muito abaixo da demanda".

Os indicadores econômicos de Cuba provêm do Estado cubano, não são auditados no exterior e são difíceis de comparar, uma vez que o país não é membro de organizações internacionais como o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Gil citou o não cumprimento de metas nas vendas de dois dos principais produtos exportáveis de Cuba, o tabaco (91% do plano), devido a problemas ligados à covid-19" e à paralisação de algumas fábricas, e o rum (86% do plano), por "problemas de demanda no mercado internacional".

Quanto ao níquel, uma das principais exportações do país, disse que embora o seu preço no mercado internacional esteja superior ao esperado, Cuba não alcançou "os níveis previstos de produção física".

De acordo com o ministro, o plano de vendas ao exterior não levava em conta o impacto que a covid-19 teria, especialmente no setor do turismo.

Antes da pandemia, o turismo era a segunda maior fonte oficial de receitas em moeda estrangeira - atrás apenas da venda de serviços profissionais no exterior - e contribuía com cerca de 10% do PIB.

De janeiro a maio de 2021, o país recebeu 225.417 turistas e viajantes estrangeiros, quase dois milhões a menos do que na mesma época em 2020, uma diminuição de 94%, segundo dados do Escritório Nacional de Estatísticas e Informação (Onei).

Como resultados favoráveis, Gil mencionou as exportações de mel, produtos biofarmacêuticos e serviços de telecomunicações. Também descreveu a situação na produção alimentar como "muito complexa", devido à escassez de fatores de produção, combustível, peças e equipamento, além de problemas organizacionais.

Segundo o político, em quase todas as áreas há descumprimento de metas, citando arroz, milho, feijão e leite, com 63 milhões de litros abaixo do previsto.

A produção de cimento (80% do plano) também está aquém, e de aço está "muito afetada" (52%), segundo explicou, "como resultado das medidas tomadas para reduzir o consumo de energia nestas indústrias".

No caso da geração de energia, o ministro da Economia disse que espera encerrar o ano com cerca de 3 milhões de toneladas de petróleo e gás produzidos internamente, mais 90 mil toneladas do que o planejado, mas indicou que certas manutenções e investimentos nesta área têm sido adiados.

Há meses que a produção de eletricidade tem enfrentado sérias dificuldades, atribuídas a avarias nas usinas termoelétricas e à falta de peças para a manutenção exigida por estas instalações, o que tem provocado apagões.

O vice-primeiro-ministro informou que 541 empresas estatais estão a reportando prejuízo (30% do total) e disse ser necessário "analisar tudo o que tem a ver com gestão, organização e oportunidades para aproveitar essa demanda solvente do país".

Gil declarou que as prioridades continuarão sendo o controle da inflação, a recuperação do sistema nacional de eletricidade e energia e o atendimento às pessoas vulneráveis. EFE

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