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Presidente da Argentina diz que não vai se "ajoelhar" diante do FMI

28/10/2021 00h56

Buenos Aires, 27 out (EFE).- O presidente da Argentina, Alberto Fernández, disse nesta quarta-feira que não vai se ajoelhar diante do Fundo Monetário Internacional (FMI), nem assinará "a qualquer preço" um novo acordo com a organização, com a qual o país sul-americano pretende refinanciar cerca de US$ 43 bilhões em dívidas.

"Se ainda não chegamos a um acordo, é porque não vamos nos ajoelhar, porque vamos negociar até que nosso povo não veja seu futuro em risco pagando uma dívida", declarou Fernández em um ato político com militantes governistas no estádio do Club Deportivo Morón, na Grande Buenos Aires.

No evento, que homenageou o ex-presidente Néstor Kirchner, cuja morte completou 11 anos nesta quarta-feira, Fernández afirmou também que é "exigido" pela imprensa argentina que ele assine um acordo com o FMI "rapidamente" e "a qualquer preço", mas garantiu que não agirá desta forma.

"Às vezes desejo que os jornais argentinos, em vez de me pedirem para apressar um acordo com o Fundo de qualquer forma, digam ao Fundo para assumir a responsabilidade pelos danos que causou ao dar à Argentina uma dívida que não se podia pagar", afirmou.

O presidente argentino descreveu como uma "ruína" para seu país o acordo de ajuda financeira que o FMI assinou em 2018 com o então presidente Mauricio Macri, pelo qual foi aprovado um empréstimo de US$ 56,3 bilhões. Desse total, US$ 44,2 bilhões foram efetivamente repassados aos cofres do país.

Essa dívida, devido à aplicação de juros e variações na taxa de câmbio e ao pagamento da primeira parcela, realizado há um mês, era de US$ 43,092 bilhões no final de setembro, de acordo com os últimos dados oficiais disponíveis.

Fernández, que se reunirá no próximo fim de semana com a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, no âmbito da cúpula do G20, em Roma, pretende renegociar com a entidade os juros e os prazos de pagamento das parcelas.

O governo argentino alega que o país não tem capacidade para pagar os pesados compromissos previstos até 2024 no acordo feito em 2018.

"Vou lutar, vou enfrentar tudo o que for necessário e vou fechar com o Fundo no dia em que souber que isso não condiciona o futuro da Argentina", disse Fernández. EFE

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