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Argentina alega que restrição a compra de viagens ao exterior é "momentânea"

26/11/2021 17h09

Buenos Aires, 26 nov (EFE).- O governo da Argentina disse nesta sexta-feira que as novas restrições à compra de viagens ao exterior com cartões de crédito são "momentâneas" e que, embora as reservas monetárias sejam "robustas", elas precisam ser reforçadas no contexto das negociações de um refinanciamento da dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

"É uma disposição do Banco Central que é momentânea e pontual", afirmou a porta-voz da Presidência, Gabriela Cerruti, em entrevista coletiva na qual explicou que a medida "será prorrogada ou não" conforme avaliações da autoridade monetária.

Em uma ação surpresa, o Banco Central decidiu que a partir desta sexta-feira os emissores de cartões de crédito não poderão parcelar as compras de passagens aéreas de seus clientes para outros países e serviços turísticos no exterior, como hospedagem ou aluguel de carros, que sejam feitos diretamente ou através de agências de viagens ou por portais de internet.

Cerruti disse que as viagens ao exterior não estão proibidas e que aqueles que não podem pagar por elas em uma única prestação podem financiá-las de outras formas, por exemplo, através de um crédito pessoal.

A medida recebeu inúmeras críticas das câmaras empresariais que representam agências de viagens e companhias aéreas, um setor duramente atingido pela pandemia, e também da oposição ao governo.

A porta-voz argumentou que é necessário "cuidar" do processo de "reativação econômica, consumo e turismo interno" e que a medida "se dá no contexto da crise econômica dos quatro anos" do governo de Mauricio Macri (2015-2019), "dos anos da pandemia" da covid-19 e "das negociações para resolver a questão da dívida externa tomada" em 2018 por aquela administração com o FMI.

A Argentina vem buscando há um ano refinanciar a dívida com a entidade, que atualmente é de cerca de US$ 43,3 bilhões.

"É uma disposição momentânea que nos ajudará a superar este obstáculo e a terminar as negociações com o FMI, como estamos fazendo, com muita precisão e confiança", afirmou ela.

A porta-voz presidencial garantiu que as reservas do Banco Central "são robustas", mas apontou que é necessário "avançar no acordo" com o FMI, "e isso significa que as reservas não só têm que ser robustas, mas fortes o suficiente para se paticipar desta negociação da melhor maneira possível", e "esta medida vai nessa direção".

Segundo dados da autoridade monetária, as reservas internacionais do Banco Central fecharam na quinta-feira em US$ 42,237 bilhões, mas consultores privados calculam que as reservas líquidas são de cerca de US$ 4,4 bilhões, e as reservas líquidas descontadas de direitos especiais de saque e swaps com o Banco Popular da China estão próximas de US$ 700 milhões, limitando as possibilidades da entidade de intervir no mercado de câmbio oficial com o objetivo de sustentar a taxa de câmbio.

A saída de moeda estrangeira da Argentina através de viagens ao exterior em 2019, antes do início da pandemia, era de US$ 4,585 bilhões, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). EFE

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