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Reativar economias e recuperar empregos são desafios do Fonplata para 2022

22/12/2021 18h35

Santiago Carbone.

Montevidéu, 22 dez (EFE).- Reativar as economias atingidas pela pandemia, conter a inflação e ajudar as pessoas a recuperar os empregos perdidos nos últimos tempos são os primeiros objetivos que o FONPLATA-Banco de Desenvolvimento estabeleceu para 2022.

As metas foram anunciadas durante uma entrevista à Agência Efe, em Montevidéu, por Juan Enrique Notaro, presidente executivo dessa organização multilateral composta por Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.

"Esta é a missão, este é o desafio imediato, e esperamos colaborar nisso através das ferramentas que temos", enfatizou.

Notaro também afirmou que, a médio prazo, a esses objetivos se somarão a educação, a ciência, a tecnologia e a formação profissional para todos os jovens.

COVID-19: DE UMA LACUNA MAIS EVIDENTE A ASPECTOS POSITIVOS.

Para Notaro, 2021 foi um ano que tornou mais evidentes as lacunas entre os países industrializados e o mundo em desenvolvimento.

"Penso que a diferença em recursos, capacidade tecnológica e científica dos países se tornou muito evidente. Os países mais desenvolvidos eram muito mais capazes de lidar com a pandemia", disse.

"Alguns dos países, mesmo no FONPLATA, levaram muitos meses até que tivessem acesso a suprimentos médicos, respiradores, quando os países do mundo desenvolvido já haviam feito progressos consideráveis", acrescentou.

Por esta razão, Notaro apontou que o FONPLATA deve continuar trabalhando com os países e colaborando para desenvolver agendas que, neste momento, tendem a questões educacionais, de ciência, tecnologia, investimento e a geração de mais oportunidades para as pessoas.

Por outro lado, o presidente executivo destacou alguns aspectos positivos surgidos na pandemia, como a entrada da ciência e das questões de saúde "nas linhas de frente dos orçamentos".

Ele também disse que isso trará mudanças no aspecto laboral e na forma como as pessoas "enfocam a vida".

"As cidades não são mais tão atraentes, nem todos estão tentando se estabelecer nas cidades", declarou Notaro.

Ela acrescentou que o teletrabalho é uma prática que, de uma forma ou de outra, vai "definitivamente ser incorporada" no mundo para facilitar a "flexibilidade".

2021: UM ANO INTERESSANTE.

Além disso, Notaro também fez um balanço do que 2021 deixou para o FONPLATA e classificou a ano como "interessante", pois o Banco de Desenvolvimento conseguiu aumentar os empréstimos aos países e melhorar sua classificação de crédito em uma época em que a vulnerabilidade da economia regional "era muito grande".

Isso, de acordo com ele, permitirá ao FONPLATA ter acesso ao financiamento "em melhores condições" nos mercados para transferi-lo para seus países membros.

"Esperamos que, no futuro, por volta do próximo ano, possamos fazer pleno uso disso, para poder continuar a ter acesso ao financiamento em boas condições para os países, mas também para poder avançar no que é uma reposição do capital do FONPLATA, algo que é muito importante dentro das multilaterais para poder emprestar mais e em melhores condições", afirmou Notaro.

Entre as atividades realizadas neste ano, ele destacou que houve projetos "muito interessantes", como projetos de infraestrutura urbana no Brasil e econômicos, de emprego e de reativação de infraestruturas na Argentina e na Bolívia.

Notaro enfatizou que um dos projetos "emblemáticos" era a Rota Bioceânica, que completa a conexão entre o Atlântico e o Pacífico.

"Restam cerca de 300 quilômetros a serem construídos no Chaco paraguaio e que, juntamente com a construção de uma ponte que o Brasil está financiando com o Paraguai nos próximos meses, proporcionaria uma conexão completa entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Penso que este é um projeto emblemático para toda a região e que o FONPLATA ajudou a completar", disse.

Notaro também falou sobre o financiamento do Programa Federal de Infraestrutura Esportiva na Argentina, que tem como um de seus objetivos o fortalecimento de iniciativas sociocomunitárias para promover a atividade física e a prática esportiva.

Para Notaro, estas iniciativas são boas para serem difundidas em outros países devido ao interesse que possuem pelo esporte, particularmente o futebol, e por poderem ajudar a aproximar crianças em situação vulnerável dos "núcleos positivos".

"Penso que este projeto na Argentina é um exemplo muito interessante que seria muito valioso para aplicar e um investimento muito útil no restante dos países", finalizou. EFE

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