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Putin exigirá que países "hostis" paguem pelo gás russo em rublos

23/03/2022 19h14

Moscou, 23 mar (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quarta-feira que o país rejeitará o pagamento do gás russo em moedas estrangeiras, incluindo o dólar e o euro, e cobrará os fornecimentos de países "hostis", incluindo os da União Europeia (UE), apenas em rublos .

"Decidi implementar o mais rápido possível uma série de medidas para transferir os pagamentos do nosso gás natural dos chamados países hostis para rublos", disse durante uma reunião com membros do governo russo.

"Peço ao governo que dê as devidas instruções à Gazprom para alterar os contratos existentes. Ao mesmo tempo, todos os consumidores estrangeiros devem ter a oportunidade de realizar as operações necessárias", acrescentou.

O governo russo adotou no último dia 8 uma lista de países e territórios hostis, que inclui Estados Unidos e Canadá, todos os membros da UE, além de Reino Unido, Ucrânia, Montenegro, Suíça, Albânia, Andorra, Islândia, Liechtenstein, Mônaco, Noruega, San Marino, Macedônia do Norte, Japão, Coreia do Sul, Austrália, Micronésia, Nova Zelândia, Singapura e Taiwan.

Na opinião de Putin, o Ocidente, pela decisão de congelar os ativos russos - a reserva cambial do Banco Central, por exemplo - chegou a declarar uma suspensão dos pagamentos a Moscou e pôs fim à confiabilidade de suas moedas.

"Nas últimas semanas, como você sabe, vários países ocidentais tomaram decisões ilegítimas sobre o congelamento de ativos russos, e esse Ocidente coletivo na verdade traçou uma linha sob a confiabilidade de suas moedas...", afirmou.

O chefe de Estado afirmou que "os Estados Unidos e a União Europeia declararam, em princípio, uma violação real de suas obrigações com a Rússia".

"E agora todos no mundo sabem que as obrigações em dólares e euros podem não ser cumpridas", resumiu.

O gás russo representa 40% do consumo da UE.

A redução das importações de gás russo é especialmente urgente para os países do centro e sudeste da Europa, que estão entre os mais dependentes de Moscou para suprir suas necessidades energéticas e, portanto, entre os mais expostos a um possível corte no abastecimento.

Em uma mensagem destinada a tranquilizar estes e outros países, Putin assegurou que a Rússia vai continuar a abastecê-los com gás de acordo com os volumes e preços estipulados nos contratos já em vigor.

"Quero enfatizar separadamente que a Rússia continuará, evidentemente, fornecendo gás natural de acordo com os volumes e preços estabelecidos em contratos previamente acordados", afirmou. EFE