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Sánchez vê Davos como oportunidade para Espanha em meio a incerteza global

23/05/2022 16h50

Davos (Suíça), 23 mai (EFE).- O presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, vê o Fórum Econômico Mundial, em Davos, como uma oportunidade para mostrar o potencial de investimento do país, especialmente no setor de microchips, em meio à incerteza econômica global agravada pela guerra na Ucrânia.

Sánchez, que foi ao evento na cidade suíça acompanhado do chanceler José Manuel Albares, terá como primeiro compromisso em Davos, na noite desta segunda-feira, um jantar oferecido pelo CEO da Intel, Pat Gelsinger.

A Intel é um dos principais fabricantes mundiais de microchips e equipamentos eletrônicos, e a presença de Sánchez já destaca o principal objetivo da visita do governante: apresentar as possibilidades de investimento da Espanha neste campo em particular.

Por isso, ele fez sua presença coincidir com a provável aprovação do Conselho de Ministros, amanhã, ao projeto estratégico de recuperação econômica e transformação sobre chips e microcondutores.

O projeto é ligado ao chamado Plano de Recuperação, Transformação e Resiliência e fundos europeus, e é considerado estratégico para o futuro da economia espanhola.

PROJETO DE 11 BILHÕES DE EUROS.

Quando Sánchez anunciou a aprovação do projeto relativo a microchips, em abril, ele enfatizou que os semicondutores são um elemento básico em todos os setores e que a Espanha não vai perder a corrida contra a tecnologia mais avançada.

Ele descreveu o projeto como "um grande, ambicioso e audacioso compromisso" em meio aos problemas causados pela pandemia do coronavírus no fornecimento destes componentes e à intenção da União Europeia de aumentar a fabricação destes componentes em seu território, a fim de fortalecer sua autonomia.

O pacote que deve ser aprovado pelo governo amanhã envolverá um investimento de 11 bilhões de euros, ao qual se espera que seja acrescentada uma contribuição privada significativa.

Sánchez, portanto, vai enfatizar em Davos que a Espanha pretende estar na vanguarda da produção de microchips na Europa, uma mensagem que ele deve transmitir tanto em seus contatos no jantar de hoje como em muitos dos eventos previstos em sua agenda de amanhã.

Além de discursar no plenário do fórum, Sánchez terá reuniões com os CEOs de quatro empresas líderes no setor de microchips: Intel, Qualcomm, Micron e Cisco.

A Qualcomm, líder mundial em projeto de microchips, também o convidou para participar de um jantar com dezenas de representantes de empresas de tecnologia.

Fontes do governo disseram que Sánchez pode abrir portas em Davos para futuros investimentos na Espanha, ressaltando que não se pode esperar que a reunião resulte em comprometidos imediatos por parte de grandes empresas de tecnologia.

Esse tipo de decisão, conforme apontaram, não pode ser esperado "da noite para o dia", mas é resultado de muitos meses de negociações.

DIVERSIFICAR INVESTIMENTOS.

Preparar o caminho para novos investimentos é a intenção de outra reunião que o chefe do governo espanhol terá durante a estada na cidade suíça, no caso, com os chefes do fundo soberano Temasek, de Singapura e um dos maiores do mundo.

Esse fundo ainda não investiu na Espanha e já entrou em contato com o governo para estabelecer uma presença no país como parte de seu plano de diversificação de atividades.

A reunião acontecerá uma semana após outro fundo soberano, o QIA, do Catar, assinar um acordo com a empresa estatal Cofides para investir US$ 5 bilhões na Espanha durante os próximos anos dentro do Plano de Recuperação.

O destino do investimento não foi especificado, mas um comunicado conjunto assinado por Espanha e Catar já indicava a intenção de colaboração especial em setores como novas tecnologias, energia, biotecnologia, saúde e ciências da vida, agrotecnologia, água e energias limpas e renováveis.

Sánchez também se reunirá em Davos com os dirigentes da Arcelor Mittal, empresa que está em processo de descarbonização de sua indústria na Espanha.

Ele também participará de um evento sobre o papel global da Europa.

A guerra na Ucrânia estará presente em todo o fórum e será uma das questões que o presidente do Governo espanhol abordará em encontros com outros líderes políticos internacionais. EFE