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ONU adverte que atual crise alimentar poderá ser uma catástrofe em 2023

08/06/2022 20h44

Mario Villar

Nações Unidas, 8 jun (EFE).- A atual crise alimentar que muitos países enfrentam como resultado da guerra na Ucrânia pode se tornar uma verdadeira "catástrofe" em 2023, segundo a Organização das Nações Unidas, que pediu aos governos medidas urgentes para evitá-la.

"A crise alimentar deste ano deve-se à falta de acesso. A do próximo ano pode ser por falta de alimentos", disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, na apresentação de um relatório elaborado pela organização sobre o panorama do impacto da invasão russa da Ucrânia.

O documento, o segundo sobre este tema depois de outro publicado em abril, destaca que o mundo enfrenta a maior "crise do custo de vida" de uma geração, com os preços dos alimentos perto de recordes, com os fertilizantes custando o dobro até pouco tempo, e os preços do petróleo e do gás subindo vertiginosamente.

"Pessoas e países vulneráveis ??já estão sendo duramente atingidos, mas não se engane: nenhum país ou comunidade será poupado dessa crise de custo de vida", insistiu Guterres.

UMA CATÁSTROFE ALIMENTAR

Desde o início da guerra na Ucrânia, a ONU tem advertido repetidamente que o conflito agravaria um problema de fome que já estava em andamento devido aos efeitos da pandemia e à situação econômica em muitos países.

Até agora, as dificuldades estão ligadas, sobretudo, à queda nas exportações de cereais e fertilizantes da Ucrânia e da Rússia, que são fundamentais para o mercado global e dos quais dependem principalmente os países do Oriente Médio e da África.

No entanto, olhando para o próximo ano, a ONU teme que o aumento dos preços - especialmente dos fertilizantes - possa significar que não haverá comida suficiente.

"Se a guerra continuar e os altos preços de cereais e fertilizantes persistirem até a próxima temporada de plantio, a crise atual poderá se espalhar para outros alimentos básicos, como o arroz, afetando milhares e milhares de pessoas", explicou a secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês), Rebeca Grynspan, em entrevista coletiva.

Segundo a secretária, "a atual crise alimentar pode rapidamente se tornar uma catástrofe alimentar de proporções globais em 2023".

ÁFRICA, A MAIS EXPOSTA

O relatório apresentado hoje analisa a situação específica por região, que é particularmente ruim na África Subsaariana, onde mais da metade da população está severamente exposta à crise alimentar e onde tudo se complica pela dificuldade dos países em financiar medidas de apoio aos seus cidadãos, diante dos problemas de endividamento e de acesso ao crédito.

Um em cada dois habitantes desta região vive em países que enfrentam o que a ONU chama de "tempestade perfeita", uma tripla crise de alimentos, energia e finanças.

Na América Latina, embora os maiores países não estejam em grande risco, um total de 19 nações estão expostas a essa "crise tridimensional", o maior número fora da África.

Outras regiões como Norte da África e Oriente Médio e Sul da Ásia também enfrentam problemas significativos, enquanto a Europa Central e Oriental está altamente exposta nas dimensões energética e financeira devido ao seu relacionamento com a Rússia.

MEDIDAS URGENTES

Guterres ressaltou hoje que a única maneira de resolver a crise é acabar com a invasão russa da Ucrânia com uma solução política, mas disse que até que isso aconteça, a ONU vai focar em duas frentes de ação imediata.

A primeira é buscar a estabilização de preços, devolvendo as exportações de alimentos ucranianos e a produção russa de alimentos e fertilizantes aos mercados globais, tarefa em que as Nações Unidas estão engajadas há semanas, mas da qual hoje não quis fornecer detalhes para não prejudicar as negociações.

A segunda prioridade, segundo Guterres, é que os recursos financeiros sejam disponibilizados o quanto antes para que os países mais pobres possam sustentar sua população.

"Os governos têm que ser capazes de tomar emprestado o dinheiro de que precisam para manter suas economias funcionando e seu povo prosperando. Não há solução para esta crise global sem uma solução para a crise econômica no mundo em desenvolvimento", enfatizou. EFE