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Crescimento desacelera na China, mas não deve reverter aperto monetário do PBoC

São Paulo

Os dados mais recentes da China confirmam a visão de que a economia da China deve perder impulso após um ritmo "extraordinário em março", afirmam analistas econômicos, ressaltando que os indicadores não devem levar o Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) a alterar sua postura de aperto monetário.

Para analistas do Standard Chartered, os números da produção industrial, investimento em ativos fixos e vendas no varejo sinalizam uma expansão econômica menor para o resto do ano. "Prevemos uma queda do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre para 6,6% ao ano, de 6,9% no primeiro trimestre", escrevem em relatório a clientes.

Julian Evans-Pritchard, economista da Capital Economics para a China, nota que a desaceleração do crescimento da produção de energia e de bens de consumo como automóveis e celulares apontam para um enfraquecimento da demanda, que pode estar liderando a perda de fôlego da economia como um todo.

Por outro lado, setores como o imobiliário e o de infraestrutura parecem não ter sido afetados pelo novo momento chinês. "Pelo menos por enquanto, esses setores estão resistindo, o que impede uma desaceleração mais forte. Duvidamos, no entanto, que isso possa ser sustentado pelo aperto da política monetária", afirma o analista.

O Standard Chartered crê, no entanto, que a mentalidade dos dirigentes não deve mudar enquanto o PIB de 2017 não dê sinais de que possa ficar abaixo da meta de 6,5%, a não ser que o processo de redução do endividamento desenhada pelo governo crie riscos sistêmicos. "Acreditamos que a desaceleração gradual não descarrile a desalavancagem (...), e que o PBoC consiga levar o crescimento do crédito para a meta de crescimento de 12% este ano, ao passo que forneça liquidez suficiente para impedir surtos", afirmam.

Outro fator que não deve tirar o atual plano de Pequim dos trilhos são os maiores gastos em infraestrutura, lembra Liu Xuezhi, do Bank of Communications. Para o economista, a uma desaceleração mais forte é "improvável" dado a capacidade estabilizadora desse tipo de gasto pelo governo. A iniciativa da Rota e do Cinturão da China (Belt and Road) certamente é uma oportunidade para a China abrir sua economia no longo prazo, acrescenta Liu, mas deve render poucos frutos no curto prazo. (Marcelo Osakabe, com informações da Dow Jones Newswires)

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