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Para futuro presidente do BNDES, juros têm de funcionar sem segmentos subsidiados

Vinicius Neder

Rio de Janeiro

O futuro presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, que atualmente dirige o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), defendeu nesta segunda-feira, 29, a convergência dos juros da instituição de fomento com as taxas cobradas no mercado. Segundo ele, um dos principais desafios do Brasil é construir uma estrutura a termo de taxas de juros, reduzindo subsídios.

O economista lembrou que, hoje, a estrutura a termo de taxa de juros é estritamente atrelada a títulos públicos. "O Brasil tem uma carência de operações que formem efetivamente a taxa de juros de longo prazo", disse Rabello de Castro, em entrevista coletiva pouco antes do lançamento da Agência IBGE Notícias, no Rio.

Para o futuro presidente do BNDES, o banco de fomento precisa fortalecer as operações de longo prazo no mercado de capitais, com ampliação da participação privada, para que o País realmente tenha um mercado de longo prazo. "O BNDES tem que ser como um pai que ajuda a caminhar e também sabe soltar a bicicleta", afirmou Rabello de Castro.

Nesse quadro, a "taxa de juros é quase um detalhe". "As taxas do BNDES têm que convergir para o mercado", disse Rabello de Castro, lembrando que isso dependerá de medidas de políticas fiscal que não estão na alçada do BNDES. "Temos que começar a fazer o exercício do desapego desse conceito do subsídio. Temos que fazer o Brasil convergir para a normalidade", afirmou Rabello de Castro, completando que "o principal apoio que o BNDES pode dar ao mercado é a disponibilidade do apoio", e não juros baixos.

"(O mercado de crédito) tem que funcionar de modo normal. O que requer um abandono da ideia de que você tem de ter segmentos subsidiados", afirmou.

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