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Abimaq revisa previsão de 2017 de expansão de 5% para estabilidade

Thaís Barcellos

São Paulo

A Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), associação que representa a indústria de máquinas e equipamentos do País, reduziu sua projeção de crescimento para 2017, que era de 5%, para uma estimativa de estabilidade com viés de baixa.

Segundo Mario Bernardini, diretor de competitividade da entidade, a piora do cenário é resultado do faturamento baixo registrado no ano até abril, que, em sua opinião, deriva do patamar de juros ainda alto, apesar da queda da inflação, e do dólar 10% mais baixo em relação a 2016. "O problema está ligado a uma dose excessiva de política monetária e de proteção do real. Inflação cedeu em muito, mas tudo é motivo para não acelerar corte da Selic", argumentou Bernardini.

Conforme o balanço da entidade, a média do faturamento deste ano (R$ 5 bilhões) é cerca de metade da receita média obtida no período pré-crise (2010-2013), que era de R$ 10 bilhões. Em abril, o faturamento do setor somou R$ 4,892 bilhões, recuando 20,6% ante março e 10,5% em relação ao mesmo mês de 2016.

Bernardini ainda comentou a declaração desta quarta do ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, que disse que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, para o qual se estima crescimento, vai marcar o fim da recessão.

"A expectativa de avanço de cerca de 1% do PIB é um falso positivo. É um número fora da curva. Estamos longe do fim da crise. O faturamento da Abimaq este ano está abaixo da receita do ano passado em plena crise. Retomada do crescimento é um desejo, mas não uma realidade", disse.

O viés de baixa na projeção de estabilidade para o setor no ano tem relação com as instabilidades políticas, já que a redução na projeção ainda não captou os efeitos da nova crise que o País enfrenta, segundo José Velloso, presidente-executivo da Abimaq.

Sobre a nova fase de incerteza política, o presidente do Conselho de Administração da entidade, João Carlos Marchesan, se limitou a dizer que espera que as instituições permaneçam fortes e que as reformas continuem em andamento para que o País possa retomar a confiança na economia.

BNDES

O presidente do Conselho de Administração da Abimaq avaliou como positiva a escolha do economista Paulo Rabello de Castro como novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Paulo Rabello de Castro no BNDES é pessoa certa no lugar certo."

Segundo Marchesan, o novo presidente do BNDES é uma pessoa focada na indústria, no desenvolvimento e no crescimento do País. "Temos confiança muito grande", completou.

Entre os assuntos que a Abimaq vai discutir com Rabello de Castro, o presidente-executivo da entidade, José Velloso, citou o spread flutuante nas taxas de juros de operações indiretas do BNDES, como, por exemplo, o Finame, principal linha de financiamento para máquinas e equipamentos.

"A taxa de juros média do Finame é de 15%, sendo que o spread dos bancos repassadores é, em média, de 6%, mas pode chegar a 11%, porque é flutuante. Onde está o subsídio então em um País em que a inflação está em 4%?", questiona em resposta às críticas ao crédito subsidiado do BNDES.

Outro tema a ser debatido com a nova gestão do BNDES, segundo Velloso, está relacionado ao crédito para exportação. "O nosso setor exporta bastante. Em 2016 exportamos 44% do nosso faturamento, mas poderíamos estar exportando muito mais se tivéssemos câmbio e financiamento à exportação. Isso é um tema para o novo presidente do BNDES e outra é seguro de crédito para exportação, algo difícil no Brasil", afirmou.

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