Demanda aérea global cresce 10,7% em abril na comparação interanual, diz Iata

Victor Aguiar

São Paulo

A demanda global por viagens aéreas cresceu 10,7% em abril de 2017 em relação ao mesmo mês de 2016, informou nesta quinta-feira, 1º de junho, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) - a entidade representa 275 companhias aéreas no mundo, cerca de 83% do tráfego global.

Já a oferta global por viagens aéreas avançou 7,1% na mesma base de comparação. Assim, com a demanda crescendo num ritmo mais elevado que a oferta, a taxa de ocupação das aeronaves melhorou e atingiu 82% no quarto mês do ano, uma alta de 2,7 pontos porcentuais (p.p.) na base anual - esta é a maior taxa de ocupação já registrada para abril.

Segundo a entidade, o desempenho foi influenciado pela recuperação no nível de atividade econômica global e pelas menores tarifas. A Iata afirma que, após ajustes pela inflação, o preço das viagens aéreas no primeiro trimestre desse ano foi cerca de 10% menor que no mesmo período de 2016.

Por outro lado, a associação destaca que as restrições impostas pelos Estados Unidos no transporte de equipamentos eletrônicos portáteis de grande porte, como laptops, na bagagem de mão em voos originários de 10 aeroportos do Oriente Médio e da África parece ter impactado o tráfego de passageiros entre o Oriente Médio e a América do Norte.

"Não é uma boa maneira de combater (as ameaças)", avaliou o diretor presidente da Iata, Alexandre de Juniac, em teleconferência com jornalistas. "Não questionamos as ameaças delimitadas por Estados Unidos e Reino Unido, mas duvidamos da efetividade da medida proposta".

Segundo Juniac, há indícios de que os passageiros estão evitando rotas em que as restrições estão em vigor. O executivo ainda afirmou que, caso as restrições sejam estendidas para voos da Europa para os Estados Unidos, a produtividade da indústria aérea global seria impactada em US$ 1,4 bilhão.

Além disso, uma pesquisa conduzida pela Iata com passageiros corporativos mostrou que 15% desses viajantes procuraria reduzir seu ritmo de viagens caso as restrições sejam ampliadas. No entanto, Juniac ressalta que o governo norte-americano tem se mostrado mais aberto ao diálogo do que na ocasião em que a restrição inicial foi implantada.

"Os Estados Unidos estão escutando muito mais, há um diálogo em todos os níveis", destacou o diretor presidente da Iata, ponderando, ainda, que o impedimento no transporte de laptops na cabine geraria uma concentração desses itens no cargueiro dos aviões, o que também é um fator de preocupação para o transporte aéreo.

Regiões

Separando por regiões, a Iata destaca que o maior aumento na taxa de ocupação global em abril ocorreu na África - o índice chegou a 73,2%, um aumento de 6,2 p.p. na base anual, com a demanda crescendo 15,4% e a oferta expandindo 5,6%. Por outro lado, a taxa de ocupação no Oriente Médio avançou apenas 1,2% em abril, para 76,3% (a demanda e a oferta expandiram 10,8% e 9,1%, respectivamente).

Na Ásia/Pacífico, a taxa de ocupação aumentou 1,9%, para 81,1%, enquanto na América do Norte o índice cresceu 2%, chegando a 84,2%. Na América Latina, a alta na ocupação foi de 3,9% (para 81,7%), e a Europa registrou avanço de 4,4% (para 84,6%).

Doméstico

A demanda doméstica global por viagens aéreas cresceu 7,7% em abril de 2017 em relação ao mesmo mês de 2016, informou a Iata - a entidade representa 275 companhias aéreas no mundo, com cerca de 83% do tráfego global.

Já a oferta doméstica global aumentou 6,2% na mesma base de comparação, fazendo com que a taxa de ocupação doméstica mundial aumentasse 1,2% no quarto mês de 2017 ante o mesmo período do ano anterior, para 83%.

A entidade ressalta que o resultado da demanda doméstica global foi impulsionado por Rússia, Índia e China, que mostraram crescimentos de 16,7%, 15,3% e 12,7% no indicador, respectivamente.

Por outro lado, a demanda doméstica na Austrália recuou 2,1% em abril ante o mesmo mês do ano passado, sendo o único mercado acompanhado pela associação em que a demanda piorou. Nos Estados Unidos e no Japão, a demanda doméstica cresce 4,7% e 6,6%, respectivamente.

No Brasil, a Iata constatou um avanço de 3% na demanda e uma expansão de 2,2% na oferta em abril na base anual. Assim, a taxa de ocupação doméstica no mercado brasileiro cresceu 0,6% no quarto mês desse ano, atingindo 79,9%.

No segmento internacional, a demanda global aumentou 12,5% em abril na base anual, com a oferta crescendo 7,7% - com isso, a taxa de ocupação aumentou 3,5 p.p., para 81,5%.

A Iata destaca que todas as regiões do mundo (Ásia-Pacífico, Europa, Oriente Médio, América do Norte, América Latina e África) registraram aumento na demanda internacional no mês.

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