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Dyogo diz que Brasil começa a enxergar sinais da recuperação

Idiana Tomazelli, Mariana Sallowicz e Vinicius Neder

Rio

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, disse nesta quinta-feira, 1, que o País está finalmente começando a enxergar sinais da recuperação da economia. A declaração ocorreu após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ter divulgado hoje crescimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre do ano na comparação com os três últimos meses de 2016.

"Isso é resultado de enorme esforço e de decisões duras, mas acertadas. Um governo e, em particular, (o presidente Michel) Temer, que poderia ter optado por um caminho mais fácil, mais suave, mas optou por enfrentar grandes desafios", afirmou durante cerimônia de posse dos novos presidentes do IBGE e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O ministro disse ter falado a Temer que um grande país só se faz com grandes projetos. "O grande projeto que o País precisa hoje são as reformas e estamos fazendo isso", afirmou.

Oliveira afirmou ainda que os dados do desemprego trouxeram "uma grata surpresa". "A sinalização é importante. Foi o primeiro mês desde janeiro de 2015 que a taxa de desemprego não cresce. O número ainda é incomodo, mas flutuou", disse.

A taxa de desocupação no Brasil ficou em 13,6% no trimestre encerrado em abril de 2017. No primeiro trimestre de 2017, o resultado ficou em 13,7%. "Estamos colhendo a recuperação da economia e muito em breve estaremos falando de recuperação do mercado de trabalho", afirmou. O ministro também defendeu o conjunto de reformas microeconômicas para elevar a produtividade.

BNDES

Depois de a gestão de Maria Sílvia Bastos Marques à frente do BNDES ter sido alvo da reclamação de empresários e até de integrantes do governo por "travar" o crédito, Dyogo Oliveira defendeu hoje que a instituição de fomento tenha "foco no cliente". O ministro disse ainda que é preciso conciliar a "sanha" por controle e segurança com essa diretriz.

"O banco precisa ter foco no cliente. Temos que nos conter naquela sanha que todos os gerentes e todo servidor público têm que estabelecer o máximo de segurança para si", disse Oliveira. O ministro garantiu na sequência que isso não significa deixar de lado controles e medidas de segurança adotadas pelo banco na concessão de crédito, "pelo contrário". No entanto, ele voltou a destacar a necessidade de ter o foco no cliente, que são os empresários e investidores. "Controles e seguranças serão reforçados, mas é preciso que façamos isso sem perder de vista o cliente."

A orientação do ministro do Planejamento, pasta à qual o BNDES é ligado, foi transmitida durante a posse do novo presidente do banco, Paulo Rabello de Castro, como parte de um conjunto de medidas para "fazer diferente". Segundo o ministro, entre as orientações do governo a Rabello de Castro estão aprofundar e dar mais qualidade técnica aos projetos apoiados pela instituição e agilizar as análises de crédito do banco, bem como promover a simplificação de procedimentos.

Em outra "orientação", Oliveira disse que o BNDES precisa garantir a viabilização de projetos de infraestrutura, principalmente as concessões. Dentro do governo, essa vinha sendo uma das principais críticas a Maria Sílvia, uma vez que a disponibilidade de financiamento é condição para que as concessões saiam do papel.

Nesse sentido, o ministro do Planejamento defendeu uma "transição assistida" entre a atuação mais presente do BNDES e a participação maior do setor privado. "O BNDES não pode simplesmente apagar a luz e deixar o mercado privado se resolver com os projetos de infraestrutura. Não é essa a nossa orientação. É para paulatinamente ir saindo para deixar o mercado privado financiar os projetos de infraestrutura", disse.

O foco na inovação e a diversificação da carteira do BNDES, com ampliação da participação de pequenas e médias empresas (PMEs), também são orientações, segundo o ministro. "Temer encomendou para breve um conjunto de ações objetivas e concretas para a ampliação do crédito para PMEs", disse Dyogo. O ministro também defendeu a possibilidade de tornar o Cartão BNDES de fato um cartão de crédito.

Ele declarou que a gestão de Rabello de Castro será "exitosa" e trará "ótimos resultados". O ministro também elogiou o novo presidente do IBGE, Roberto Olinto, pela qualidade técnica.

Investidores estrangeiros

Dyogo Oliveira afirmou que os investidores estrangeiros não estão afugentados pelas crises conjunturais do País e que o Brasil é parada obrigatória para quem quer ser investidor global. Ele citou uma "grande agitação" entre investidores internacionais e nacionais no Brazil Investiment Forum, que ocorreu nesta semana em São Paulo.

"Não há outro País em que se deva estar tanto quanto o Brasil. A recuperação se solidificará nos próximos trimestres. Entregaremos o País em 2018 atingindo seu potencial de crescimento. Parte dessa estratégia é o BNDES", afirmou.

Para ele, o BNDES é especialmente relevante para projetos de infraestrutura no Brasil e crucial para atender às demandas não contempladas pelo crédito privado. O ministro citou ainda que o País tem uma economia dinâmica, diversificada, com empresários e investidores capazes. "O governo vai criar ambiente de negócios favorável para esses investidores".

Oliveira afirmou também que um evento histórico está acontecendo, com saldo positivo em transações correntes.

O ministro fez ainda elogios a Maria Silvia Bastos Marques, que deixou a presidência do BNDES. "Coube à Maria Silvia o período mais crítico, mais duro, de transição no BNDES." Segundo ele, o banco passará por uma grande transformação com a nova taxa de longo prazo (TLP). "A TLP trará mais racionalidade ao financiamento de longo prazo".

Dyogo Oliveira afirmou que a nova gestão do BNDES deve focar projetos que ampliem a produtividade da indústria. Ele também destacou como positiva a decisão do novo presidente da instituição de dar mais transparência às atividades do banco. Mais cedo, Rabello de Castro prometeu publicar em 45 dias um balanço sobre as atividades do banco, inclusive com dados sobre os investimentos em empresas.

"Não tenho dúvidas que o BNDES estará em mãos capazes. Tenho certeza que a gestão de Paulo Rabello será extremamente exitosa", disse. A respeito de Olinto, afirmou que a sua nomeação é sinal de reforço e qualidade técnica.

Sobre a orientação do banco, Oliveira defendeu que o BNDES "fuja" de financiar projetos de empresas que têm acesso ao mercado de capitais, focando em projetos com retorno social, dando atenção ao setor de serviços.

O ministro afirmou ser preciso valorizar fortemente a equipe do BNDES, que, na visão dele, é bem treinada, formada e dedicada. "Essa equipe passará por provações nos próximos meses." A valorização, destacou, é para que os funcionários sintam que a instituição tem confiança no trabalho que fazem.

Dyogo disse ainda que quer incentivar o "project finance", que consiste na estruturação de projetos com garantias em receitas próprias que serão geradas futuramente. "Precisamos definitivamente fazer aquilo que é feito em qualquer lugar decente do mundo, que é estruturar projetos com garantias do próprio projeto", disse.

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