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Mesmo sem rotativo, juro de cartão ainda deve ser evitado

Ana Carolina Neira, Monique Heemann e Nicholas Shores - Especiais para a AE

São Paulo

  • iStock

Com as novas regras que proibiram o uso do rotativo do cartão de crédito por mais de 30 dias, bancos passaram a ter de oferecer alternativas mais baratas para o consumidor refinanciar sua dívida.

Porém, como cada instituição estabeleceu os próprios procedimentos, quem fizer o pagamento mínimo da fatura deve redobrar a atenção com as taxas de juros. Segundo o Banco Central, os encargos tendem a subir na categoria parcelada do cartão à medida que mais pessoas migrem para ela.

Os juros do rotativo registraram queda em abril e ficaram em 296,1% ao ano, ante os 431,1% praticados no mês anterior, segundo o BC. Porém, no parcelado do cartão (quando o cliente decide refinanciar o total de sua dívida), as taxas subiram de 158,5% para 161,6% ao ano no mesmo período.

No parcelado migrado, uma nova categoria criada com as novas regras, os juros ficaram em 151,2% ao ano em abril. Ela é acionada automaticamente quando o consumidor ultrapassa 30 dias no rotativo.

Consumidores são pegos de surpresa

Alguns consumidores foram pegos de surpresa com as mudanças. O radialista Victor Albuquerque pagava o valor mínimo de sua fatura há alguns meses e acreditava que conseguiria quitar a dívida de R$ 1.000 em junho.

O débito, porém, se transformou em R$ 2.900, que foram parcelados em 12 meses. "O banco avisou na fatura anterior, mas sem nenhum destaque. Não tive escolha", diz ele, que tenta a renegociação.

Diante das taxas de juros ainda altas, o professor de finanças da Fecap, Joelson Sampaio, recomenda que o consumidor endividado estude as opções oferecidas pelas instituições. "Se a pessoa conta com um consignado (empréstimo com desconto em folha), pode valer muito mais a pena tomar um empréstimo e pagar o que deve", diz.

A média dos juros cobrados por bancos nessa modalidade era de 28,2% ao ano em abril, segundo o BC. Para o trabalhador do setor privado, o patamar era de 43,2% ao ano.

Porém, antes de tomar crédito para pagar a dívida do cartão, é preciso planejamento, alerta a professora de finanças do Insper Juliana Inhazs. "Se a pessoa se compromete a pagar e não consegue, pode se complicar ainda mais", explica. Vale lembrar que, uma vez endividado no cartão de crédito, o consumidor pode não ter acesso a taxas de juros tão baixas. Por isso, comparar é fundamental.

"O conselho é que o consumidor tente não recorrer ao rotativo ou parcelamento, pois são as modalidades mais caras", diz a advogada Sônia Amaro, da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste).

Alternativas

Start-ups especializadas em empréstimos --as chamadas fintechs de crédito-- e cooperativas geralmente oferecem taxas de juros abaixo da média do mercado. No caso da Just, a cobrança varia entre 39,3% e 130,3% ao ano. O prazo de pagamento vai de seis meses a dois anos.

Na concorrente Geru, as taxas variam de 30,8% a 108,4% ao ano. O prazo de pagamento vai de um a três anos.

Para quem possui um imóvel quitado para oferecer como garantia, a fintech Creditas tem taxas entre 16,08% e 29,98% ao ano. O empréstimo deve ser de pelo menos R$ 30 mil até o equivalente à metade do valor do imóvel. O prazo para o pagamento é de até 15 anos.

Também é possível dar um veículo como garantia na Creditas. Nesse caso, as taxas vão de 32,3% a 94,49% ao ano e o prazo para pagar é de até cinco anos. O total emprestado tem o piso estabelecido em R$ 2 mil até o equivalente a 80% do valor do automóvel.

O Sicredi, uma cooperativa de crédito que está presente em 20 cidades brasileiras, oferece para os seus cooperados uma taxa que gira na média de 213% ao ano.

Cada empresa faz sua própria análise da situação financeira do consumidor e decide conceder ou não o empréstimo. Os fatores mais levados em conta são a renda a o histórico da vida financeira junto a birôs de crédito, como Boa Vista SCPC e Serasa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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