Governo pode rever estimativa de impacto de saques no PIB, diz Caixa

Idiana Tomazelli

Brasília

  • Arte UOL

O presidente da Caixa, Gilberto Occhi, afirmou nesta terça-feira (6) que o governo, por meio do Ministério do Planejamento, pode rever a estimativa de impacto do saque das contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) na atividade econômica.

Segundo Occhi, a expectativa é de que os pagamentos se aproximem dos R$ 40 bilhões, mais do que a previsão inicial, entre R$ 30 bilhões e R$ 35 bilhões. Com as projeções anteriores, a estimativa era um impacto equivalente a 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto).

Segundo o banco, algumas contas que eram consideradas ativas passaram a ter status de inativa depois que os beneficiários comprovaram a rescisão dos contratos.

Antes, o sistema não detectava a situação muitas vezes porque as empresas não haviam comunicado o desligamento do funcionário, por isso a colisão nos dados. Isso contribuiu para o aumento da estimativa do valor total de saques.

"É bem provável que o Planejamento, no próximo calendário (de saques) ou final, possa rever estimativa de impacto no PIB. Essa estimativa pode ser feita em agosto", disse Occhi.

"Nunca descartamos possibilidade de saque de total das contas inativas (R$ 43 bilhões)", afirmou a vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa, Deusdina Pereira.

A Caixa Econômica Federal anunciou nesta terça mais uma antecipação no calendário de saques de contas inativas do FGTS. Para os beneficiários nascidos em setembro, outubro e novembro, a data para início dos saques, prevista em 16 de junho, foi remarcada para o próximo sábado (10). Nessa fase, o valor disponível é de R$ 10,9 bilhões, aproximadamente de 25% do total.

O presidente da Caixa não descartou uma possível antecipação da última fase, para beneficiários nascidos em dezembro, prevista para 14 de julho. Porém, Occhi ressaltou que é preciso estabelecer a estrutura necessária.

A maior parte dos saques tem ocorrido nos quatro primeiros dias de agências abertas (incluindo os sábados) após a liberação dos recursos. Segundo o presidente da Caixa, não há possibilidade de estender o prazo final dos pagamentos, que é de 31 de julho.

Juros

A Caixa prepara para o segundo semestre deste ano medidas para reduzir as taxas de juros praticadas pelo banco. As medidas valeriam não apenas para os financiamentos na área de habitação, mas também em outras modalidades. "Estamos estudando algumas medidas. Vamos trabalhar para reduzir as taxas", disse Occhi.

Um dos projetos da Caixa quer incorporar informações mais personalizadas na análise de risco do cliente. "Queremos conciliar a cota de financiamento (quanto é solicitado) com relacionamento", disse Occhi.

Nas linhas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), por exemplo, há hoje apenas diferenciação de taxas de juros para correntistas e não-correntistas da Caixa. O plano, segundo o presidente, é avaliar outros aspectos, como o relacionamento do cliente com o banco e o valor do empréstimo.

Segundo Occhi, se uma pessoa pede financiamento de R$ 450 mil e outra solicita R$ 300 mil, o banco quer poder oferecer 0,5% a menos (por exemplo) na taxa de juros para quem pediu o menor valor. A análise do prazo também seria feita dessa maneira.

"Vamos apresentar projeto de redução de taxa de juros de habitação no mercado combinada com cota de financiamento e negócios agregados", disse Occhi. "Sai nesse segundo semestre."

Caixa Seguridade

O presidente da Caixa reafirmou que a oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) da Caixa Seguridade está suspensa. "Não adianta falar nisso se não resolver o balcão", disse.

A Caixa tem contrato com a francesa CNP Assurances, que controla a Caixa Seguros, que prevê exclusividade na venda de seus produtos na rede da Caixa até 2021. Segundo Occhi, a obrigação é renegociar o contrato com dois anos de antecedência, mas as discussões já estão em andamento entre os assessores financeiros. "Tomamos a decisão de fazer agora", disse.

"O IPO por enquanto está suspenso, não tem sentido", afirmou o presidente da Caixa.

FI-FGTS

Occhi evitou fazer comentários sobre a eleição do jornalista Luiz Fernando Emediato, ligado à Força Sindical, para a presidência do FI-FGTS (fundo que usa parte do FGTS para aplicar em projetos de infraestrutura).

Delatores da Odebrecht e da JBS acusaram Emediato de ter recebido propina para liberar recursos do FI-FGTS para a Odebrecht Transport (braço de transportes da empreiteira) e para beneficiar o grupo J&F, controlador do frigorífico, no período em que trabalhou no Ministério do Trabalho.

"Não tenho comentário nenhum a fazer. Ele foi eleito segundo as regras do comitê", disse Occhi. O presidente da Caixa disse que Emediato "tem todo o direito de provar sua inocência" e que é preciso aguardar as investigações.

Occhi ainda argumentou que a eleição pelos conselheiros do fundo confere "legitimidade" ao jornalista na ocupação do cargo.

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