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Meirelles: dados do investimento até agora foram positivos; em maio foi robusto

Célia Froufe, enviada especial

Paris

Apesar de analistas do mercado financeiro começarem a prever que 2017 pode ser mais um ano de queda da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), o ministro da Fazenda, Henrique Meireles, insistiu em sua expectativa de que os investimentos vão crescer no País este ano. "Não temos essa projeção de queda (para a FBCF), não deve ter retração", afirmou a jornalistas em Paris, após encontro com o ministro da Economia e Finanças da França, Bruno Le Maire.

O ministro brasileiro argumentou que os dados do investimento até agora foram positivos e ressaltou que o crescimento em maio sobre abril foi "substancial". "A tendência é de um avanço do investimento na medida em que o País já retomou a trajetória de crescimento", considerou. Ele voltou a dizer que a projeção da Fazenda para este ano é de que o Produto Interno Bruto (PIB) suba "acima de 2%" nos últimos três meses de 2017 na comparação com o último trimestre de 2016. "Mantemos e pode aumentar projeção de crescimento para 2017", cogitou.

Para Meirelles, a questão política será resolvida num prazo curtíssimo, ou um pouco maior, se for o caso. "O fato concreto é o de que as perspectivas de crescimento se mantêm." Ele também repetiu que nos últimos dois anos de recessão, o PIB apresentou baixa de 8% e os investimentos, de 30%. "A tendência de recuperação do investimento é mais rápida porque a queda foi maior e agora há mais espaço e necessidade", argumentou.

Os jornalistas insistiram sobre a possibilidade de 2017 apresentar o quarto ano consecutivo de retração do FBCF. "Não acredito que seja esse o cenário mais provável", opinou Meirelles.

Reforma trabalhista

O ministro da Fazenda disse ainda que respeita opiniões divergentes sobre a proposta da reforma trabalhista feita pelo governo. Ele fez esta consideração quando questionado sobre um artigo publicado nesta sexta pelo seu antecessor, Nelson Barbosa.

Para o ex-ministro, como está o texto não deveria ser aprovado porque tira direitos dos trabalhadores. Meirelles disse que não leu o artigo a jornalistas brasileiros após encontro com o ministro da Economia e Finanças da França, Bruno Le Maire.

"Não há dúvidas de que tem um grupo de opinião que acredita que a presente estrutura trabalhista no Brasil deveria ser mantida. Mas, na nossa visão, é necessário dar maior flexibilidade, maior produtividade à economia e, em consequência, ter maior taxa de crescimento", enumerou.

Meirelles ressaltou que o País é uma democracia, que o tema está em debate no Congresso e foi aprovado pela CAE do Senado. "Mas não é uma unanimidade, evidente. Não só esta reforma, como qualquer uma. É normal haver um debate democrático em que as pessoas expressam sua opinião. É muito saudável isso", disse.

Na França, a perspectiva é a de que manifestações se intensifiquem nos próximos meses porque o país também deve passar por mudanças nas leis do trabalho. "Le Maire mencionou isso. São questões controversas e têm oposição", comparou.

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