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Problemas com bancos, economia e sociedade mantêm Itália no radar, diz Goldman

Victor Rezende

São Paulo

Três motivos fazem com que a Itália continue no radar dos investidores globais: a lenta recuperação da economia comparada a outros grandes países europeus que adotaram o euro, como França e Alemanha; as deficiências de capital de bancos comerciais de menor porte do país; e o descontentamento social que levou um maior apoio da população a partidos eurocéticos, como o Movimento Cinco Estrelas e a Liga do Norte, que, atualmente, atraem 40% da preferência dos italianos, com base em uma média das últimas pesquisas de opinião realizadas em maio. Para os analistas Francesco Garzarelli e Matteo Crimella, do Goldman Sachs, as três questões são "claramente inter-relacionadas e o crescimento é o seu denominador comum".

Em relatório a clientes, o banco americano comenta que a atividade econômica italiana foi segurada pelo lado da oferta, o que inibiu uma nova atribuição da mão de obra e de capital baseada no mercado. "Em nossa opinião, para enfrentar essa rigidez, é necessário um governo estável e que possa impulsionar reformas que provavelmente terão um impacto negativo nos empregos e na renda em setores privilegiados no curto prazo", comenta o Goldman, que complementa ao dizer que o baixo crescimento e o alto desemprego tendem a alimentar o apoio a partidos populistas, que se opõem à agenda de reformas. "Essas dinâmicas adversas de perspectivas econômicas precárias e mal-estar sociopolítico são particularmente agudas no sul da Itália, onde a atividade econômica está atrasada em relação ao norte, como documentou o Banco da Itália recentemente."

Para o Goldman, a imagem da situação italiana é melhor do que a de anos atrás - o que pode ser justificado pelo crescimento econômico real em todo o país, que, mesmo baixo, superou as expectativas; e pelo fato do governo ter injetado capital no Banca Monte dei Paschi, "inibindo o risco de contágio de um curto circuito no setor bancário e permitindo que instituições mais fortes se valorizassem mais". Além disso, diz o Goldman, a maior parte da dívida pública italiana (mais de 134% do PIB) está, agora, em grande parte nas mãos de investidores nacionais, como o Banco da Itália, como resultado das compras do programa de relaxamento quantitativo (quantitative easing, ou QE, na sigla em inglês). "Mas, dado o seu ponto de partida, a vulnerabilidade da Itália aos 'choques de crescimento adversos' permanece elevada, enquanto os efeitos positivos do QE diminuirão gradualmente à medida que as compras de bônus diminuirão no próximo ano", afirma.

O banco também comenta sobre a possibilidade de eleições antecipadas em solo italiano. "As chances de uma votação ser realizada entre o fim de outubro e o início de novembro aumentara. Colocamos em torno de 60%", analisa. De acordo com o Goldman, o período anterior às eleições gerias "geralmente traz alguma incerteza". No caso da Itália, essa incerteza pode durar mesmo após o encerramento das pesquisas, com o banco prevendo que o Partido Democrata, de centro-esquerda, acabaria com aproximadamente o mesmo número de deputados que o anti-establishment Movimento 5 Estrelas; a Liga do Norte e a Força Itália ganhariam cerca de 96 deputados cada, exigindo que haja uma "grande coalizão" para apoiar a formação de um novo governo, com o Parlamento dividido de três ou quatro formas.

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